ONU: crimes representam 7% da economia mundial

A criminalidade gera cerca de 2,1 biliões (milhão de milhões) de dólares [1,6 biliões de euros] por ano

Por: tvi24 / CLC    |   23 de Abril de 2012 às 21:04
A criminalidade gera cerca de 2,1 biliões (milhão de milhões) de dólares [1,6 biliões de euros] por ano, equivalente a sete por cento da economia mundial, disse hoje o diretor da agência anti-crime da ONU, noticia a AP.

Aquela importância torna o crime comparável a uma das 20 maiores economias mundiais, adiantou Yury Fedotov, o russo que dirige a Agência das Nações Unidas para o Crime e as Drogas (UNODC, na sigla em Inglês).

Com o crime global, e particularmente o crime organizado, a ameaçar as economias emergentes e a fomentar a instabilidade internacional, os apelos a uma ação concertada de combate à tendência sucedem-se.

«Precisamos de reconhecer que o problema requer uma solução global», afirmou Fedotov a jornalistas, por ocasião de uma conferência internacional sobre a prevenção da exploração dos imigrantes ilegais e outros crimes ligados ao tráfico de pessoas.

«Nenhum país pode resolver sozinho este problema», frisou.

Durante a sua intervenção na abertura da conferência, afirmou que pelo menos 2,4 milhões de pessoas podem ser vítimas do tráfico humano à escala mundial, o que considerou «um crime vergonhoso de escravatura nos dias de hoje».

A corrupção é outra das preocupações do encontro, com Fedotov a estimar, no seu discurso, que o dinheiro perdido pelos países em desenvolvimento atinge os 40 mil milhões de dólares por ano.

O dirigente da UNODC também alertou que os esforços para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio também estão a ser prejudicados pelas ameaças internacionais.

O delegado dos Estados Unidos, Brian A. Nichols, disse que as mudanças no crime organizado tornam a acusação mais difícil do que no passado.

«Hoje, muitas das organizações criminosas não têm parecenças com os grupos familiares hierarquizados do crime organizado do passado», afirmou aos conferencistas.

«Em vez disso, consistem em redes informais e leves que convergem quando lhes convém e realizam atividades criminosas diversificadas, incluindo o tráfico de bens falsificados, armas de fogo, drogas, vida selvagem e até pessoas, para conseguirem os seus ganhos ilícitos», acrescentou.
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