A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou esta quinta-feira um novo tratamento para a tuberculose multirresistente, um passo decisivo para substituir uma terapia antiga e cara, que só é eficaz em cerca de 50% dos casos.

Calcula-se que cerca de 480 mil pessoas contraem  tuberculose multirresistente todos os anos, o que representa mais ou menos 5% dos 9,6 milhões de casos de tuberculose registados anualmente.

A tuberculose multirresistente é muito difícil de tratar, ao contrário da tuberculose simples, exigindo que os pacientes tomem dolorosas injeções e milhares de comprimidos durante um período de 18 a 24 meses, por vezes com efeitos secundários graves, que podem incluir a surdez.

O antigo tratamento da tuberculose multirresistente “é praticamente uma tragédia”, disse Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial de Luta Contra a Tuberculose da OMS.

O novo tratamento, que a OMS vai agora incentivar todos os países a adotarem, dura até nove meses e espera-se que cure mais de 80% dos casos.

Também é mais barato, devendo custar 400 dólares (350 euros) por paciente, comparado com os 1.500/3.000 dólares (1.315/2.630 euros) do tratamento antigo, disse Raviglione aos jornalistas.

Cerca de 30% dos doentes de tuberculose multirresistente com um tipo especialmente complicado da doença não poderão beneficiar do novo tratamento e para identificar a elegibilidade de um doente para a nova terapia a OMS também aprovou um novo teste de diagnóstico que indica a natureza exata de uma infeção de tuberculose no prazo de 48 horas.

A tuberculose é uma doença bacteriana que infeta sobretudo os pulmões e mata cerca de 1,5 milhões de pessoas anualmente, principalmente em países de rendimento baixo e médio. Calcula-se que 190 mil pessoas morram de tuberculose multirresistente todos os anos.