Dois terços da população com menos de 50 anos tem herpes, segundo a Organização Mundial de Saúde. Pela primeira vez, a organização fez um estudo sobre a a indidência da doença a nível mundial e os números são alarmantes.

De acordo com a OMS, 3.700 milhões de pessoas com menos de 50 anos têm o tipo 1 do vírus, o VHS-1, e na maior parte destes casos a infeção ocorreu durante a infância. Por outro lado, há 417 milhões de pessoas, com idades entre os 15 e os 49 anos, que têm o tipo 2, o VHS-2. 

Aqui, importa explicar que o vírus VHS-1 é a variante mais comum da doença e afeta sobretudo a região da boca, enquanto o VHS-2 costuma transmitir-se por via sexual e causa sobretudo herpes genital.

Apesar de o VHS-1 estar mais associado a herpes labial, a OMS alerta que o número de casos de herpes genital causado por esta forma do vírus está a aumentar, particularmente nos países desenvolvidos. Isto acontece porque as melhores condições de higiene nestes países têm reduzido os riscos de infeção na infância e, por isso, há um maior risco de transmissão entre os jovens sexualmente ativos.

Mas há mais alertas. No caso do VHS-2, o organismo sublinha que este vírus está cada vez mais ligado à infeção e propagação do VHI, o vírus que causa a SIDA. Apesar de se saber muito pouco sobre a ligação entre estas duas doenças, a OMS vinca que é necessário acelerar o processo de desenvolvimento de vacinas.

“Precisamos de acelerar o desenvolvimento de vacinas e se uma vacina for desenhada para prevenir o VHS-2 também poderá prevenir o HSV-1", afirmou Sami Gottlieb, da OMS.

Outra responsável da organização Nathalie Broutet esclareceu que os institutos de saúde norte-americanos estão a desenvolver estudos no sentido de saber o que é preferível: se uma vacina terapêutica, se uma vacina que faça prevenção.

A OMS recordou que já foram abandonados testes para uma vacina contra a doença depois de se ter constatado que não era eficaz a combater o vírus VHS-2, embora tivesse demonstrado alguns resultados contra o VHS-1.

"Foi um trabalho interessante e que nos deu a prova de que estas vacinas podem ser desenvolvidas. Há muito que fazer e esperamos ter uma vacina contra o vírus no futuro."