Oksana Shachko foi uma das fundadoras do grupo Femen, conhecido pelas ações reivindicativas na rua cujos membros participavam com os seios à mostra. A mulher foi encontrada morta na segunda-feira, no seu apartamento em Paris.

A líder da organização feminista confirmou na terça-feira que Oksana foi encontrada morta em casa.

"Oksana foi encontrada ontem (segunda-feira), em Paris, no seu apartamento. Suicidou-se", afirmou Inna Chevtchenko, citada pela agência France Presse.

Pouco tempo depois, outra das fundadoras confirmou nas redes sociais a morte da colega de 31 anos.

Anna Goutsol, com quem criou em abril de 2008 na Ucrânia o grupo Femen, deixou uma publicação no Facebook a confirmar o óbito.

A mais corajosa Oksana Chatchko deixou-nos. Com os amigos e família, estamos em luto, e esperamos a versão oficial da polícia. Até ao momento, o que sabemos é que o corpo da Oksana foi encontrado no seu apartamento em Paris. Segundo os amigos, ela deixou uma carta de suicídio”, escreveu, sem avançar detalhes da morte de Oksana.

Em 2013, Oksana deixou de fazer parte do grupo feminista, estando desde então em Paris dedicada à ocupação de pintora.

Mesmo sem uma das fundadoras, o grupo continuou com a atividade reivindicativa, passado fronteiras e chegando a vários países.

Ativismo na Europa

Em Itália, por exempo, uma militante Femen interrompeu, em março deste ano, o momento em que o ex-primeiro ministro italiano Berlusconi ia votar. Nesse momento, foi “atacado” por uma mulher que saltou para cima da urna com os seios à mostra e aos gritos.

Em 2013, o grupo também foi responsável por um “ataque” em Madrid durante uma manifestação contra o aborto. Nessa ação, as cinco ativistas gritavam que “o aborto é sagrado”.

Em setembro de 2014, o movimento ucraniano feminista realizou mais uma ação contra o conflito com a Rússia. Uma jovem posou numa rua de Kiev, de seios à mostra e “suja de sangue”, em protesto contra a guerra e contra Putin, uma ação que já havia acontecido em frente ao Conselho Europeu aquando de uma visita do presidente russo em janeiro do mesmo ano.

Além das questões políticas, as convicções do grupo têm levado as feministas a reagir também em momentos de conotação religiosa.

No final de 2014 e numa altura em que se começava a celebrar o natal, no Vaticano o grupo ativista manifestou-se contra a ida do Papa ao Parlamento Europeu. Dias depois, uma mulher foi detida por tentar roubar o menino Jesus do presépio da sede da Igreja Católica.

Esse momento acabou por ser repetido durante o natal de 2017.

Já em 2015, a ativistas interromperam uma conferência muçulmana em "topless".

Duas manifestantes feministas entraram no encontro sobre o papel das mulheres muçulmanas e, acabaram por ser vítimas de várias agressões por parte dos homens que estavam na audiência.