Okinoshima, uma ilha no sudoeste do Japão onde as mulheres são proibidas e os homens devem tomar banho nus, no mar, antes de entrarem, foi declarada Património Mundial, pela UNESCO.

A ilha de 700 metros quadrados, juntamente com três recifes situados nas proximidades e quatro outros locais relacionados, receberam o título de Património Mundial da Humanidade, na Reunião do Comité do Património Mundial, que aconteceu este fim de semana, em Cracóvia, na Polónia.

Os padres do grupo religioso que controla os templos têm permissão para a viajar para a ilha. Fora eles, apenas 200 homens podem entrar na ilha, uma vez por ano, no dia 27 de maio, para honrar marinheiros que morreram nas batalhas navais durante a guerra russo-japonesa, entre 1904 e 1905.

Antes de entrarem na ilha sagrada, os visitantes devem tomar banho nus, no mar, para se livrarem de todas as impurezas. 

A razão para a proibição das mulheres na ilha nunca foi divulgada publicamente, mas há uma teoria que defende que o motivo se prende com a crença xintoísta de que o sangue menstrual é impuro.

Takayuki Ashizu, o principal sacerdote do grupo religioso que controla a ilha, disse que a proibição do turismo, em geral, e das mulheres, em particular, irá manter-se, apesar dos inúmeros pedidos de agências de viagens.

Nós não abriremos Okinoshima ao público, mesmo que esteja inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO, porque as pessoas não devem visitar a ilha apenas por curiosidade”, afirmou o sacerdote, ao Japan Times, em 2016.

Durante a Reunião do Comité do Património Mundial, alguns participantes afirmaram que a proibição de entrada de mulheres na ilha seria discriminatório. O Comité respondeu que existe um precedente, uma vez que o Monte Athos, na Grécia, Património Mundial da UNESCO, também é proibido para mulheres.

Já foram descobertas cerca de 80 mil peças arqueológicas na ilha, incluindo espelhos da dinastia Wei na China, anéis de ouro da Península Coreana e fragmentos de um pote de vidro da Pérsia.

Com a decisão da UNESCO, a ilha de Okinoshima torna-se o 21º local, no Japão, considerado Património Mundial e passa a receber fundos para a sua manutenção.