O presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica considerou que a divulgação de uma lista com nomes de responsáveis alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção coloca em causa a imagem de países e segurança de cidadãos.

Uma lista de mais de 70 nomes de chefes ou ex-chefes de Estado alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com ‘offshores’ foi divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

A série de nomes - já designada como "Os papéis do Panamá" (The Panama Papers), refere que milhares de empresas foram criadas em "offshores" e paraísos fiscais para que políticos e personalidades administrassem o seu património.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica (TIAC), Luís de Sousa, disse que a situação é “grave” e coloca em causa a imagem dos países e a segurança dos seus cidadãos.

No entender de Luís de Sousa, os países têm de investigar, estar mais atentos e, sobretudo, “têm de olhar de outra maneira para alguns escritórios de advogados”.

Não podemos continuar a achar normal ver escritórios de advogados que têm um poderio brutal dentro do país e o poder às vezes salta aos olhos de toda a agente. Têm de olhar para o número de associados, para o volume de negócios e o tipo de serviços que andam a prestar como a consultadoria"

Segundo o responsável, estes não são escritórios de advogados “normais”.

Por outro lado, há uns anos que estamos a assistir às consequências de situações como estas [branqueamento de capitais, empresas de fachada], das reações de alguns grupos extremistas a estes sistemas totalistas e amorais. As importações das ‘offshores’ são também uma consequência de política externa dos países. Há muitos indivíduos que estão a prejudicar a imagem do país e colocam em risco alguns cidadãos”

De acordo com o responsável, aquelas práticas têm uma dimensão política.

O moralismo do capitalismo tem cada vez mais consequências nos grupos extremistas que estão a insurgir contra a cultura do ocidente, o sistema capitalista que lhe é imposto. Isto vai danificar a imagem e a segurança os países e assim estão a colocar em risco a vida dos concidadãos”

O presidente da Argentina, o futebolista Lionel Messi e o cineasta espanhol Pedro Almodóvar figuram na lista comprometedora de personalidades divulgada na sequência de uma fuga de informação envolvendo a empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca.

A lista, que inclui 72 chefes ou ex-chefes de Estado, foi divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que agrega repórteres de mais de cem meios de comunicação.

A série de nomes - já conhecida como "Os documentos de Panamá" - inclui o rei da Arábia Saudita, o Presidente da Ucrânia, os primeiros-ministros da Islândia e do Paquistão, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

A documentação aponta a criação de milhares de empresas "offshore" em paraísos fiscais para que políticos e personalidades administrassem o seu património.