Por: tvi24 / SM | 21- 3- 2011 19: 36
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, admitiu esta segunda-feira em Bruxelas a existência de diferenças entre
os Estados-membros da União Europeia quanto à posição dos 27 face ao conflito na Líbia.
«Há de facto algumas tensões
relativamente à forma como a UE se deve posicionar relativamente à crise líbia», afirmou, à saída de uma reunião de chefes
de diplomacia europeus, na qual os 27 adoptaram conclusões que Amado considerou que reflectem, «apesar de tudo, um compromisso».
As conclusões adoptadas pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE dão conta da disponibilidade dos 27 em fornecer
apoio sob a forma de uma missão de política comum de segurança e de defesa a fim de apoiar ajuda humanitária que seja solicitada
pelas Nações Unidas.
«As conclusões reflectem um compromisso relativamente ao que a UE pode fazer. É óbvio que será
sobretudo na área humanitária que a UE tem uma missão a desempenhar, assumida pela generalidade dos membros do Conselho, e
é sobretudo nesse domínio que a UE vai concentrar-se nesta fase», sublinhou Amado.
O ministro indicou que, tal como
já anunciara anteriormente, Portugal está disposto a participar numa missão humanitária.
«Portugal sempre disse que,
tendo apoiado a aprovação da resolução no Conselho de Segurança (da ONU), no quadro das responsabilidades que tinha, não participaria
na implementação do segmento que envolve operações militares; participaria quer no controlo do embargo de armas, quer nas
operações humanitárias», afirmou.
O ministro afirmou que a principal preocupação de momento «é que haja uma interpretação
convergente da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas», que ¿ recordou ¿ não foi aprovada por unanimidade,
dado terem-se registado cinco abstenções.
«É absolutamente indispensável que essa interpretação (...), que essa
convergência seja clarificada pelos membros do Conselho», disse, acrescentando que também é conveniente «saber quem faz o
quê», a nível de organizações mas também dos Estados, principalmente os que participam na coligação que se organizou, sob
mandato do conselho de segurança.
Neste contexto, reafirmou que, do seu ponto de vista, seria errado a NATO envolver-se
de forma «ostensiva» na crise líbia.
«Confesso que sempre manifestei essa minha orientação junto dos meus colegas:
gostaria que a NATO não se envolvesse expressamente numa situação como esta», principalmente «sem uma clara cobertura política
da Liga Árabe e da UA», declarou.
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