O Reino Unido anunciou esta quarta-feira que vai criar uma zona de proteção marinha no Oceano Pacífico, com um tamanho equivalente à soma das áreas de França e da Alemanha, o que a torna a maior do género.

A reserva vai ser criada em torno do arquipélago das Ilhas Pitcairn, um território ultramarino britânico que é habitado pelos descendentes dos marinheiros que fizeram o famoso motim no navio Bounty, em 1789.

«O governo tenciona avançar com a designação de uma APM (Área de Proteção Marinha) em torno de Pitcairn», está escrito no projeto de orçamento para 2015 apresentado pelo ministro das Finanças, George Osborne, no parlamento.

Mas o governo adiantou que uma decisão final iria depender de acordos para a monitorização por satélite de uma vasta área, para impedir descargas de pescado ilegal, e de patrulhas navais.

A organização não-governamental dos EUA que liderou a campanha para a criação da reserva, a Pew Charitable Trusts, adiantou que a área teria uma extensão de 834.334 quilómetros quadrados.

No seu interior, alberga pelo menos 1.249 espécies de mamíferos marinhos, pássaros e peixes e inclui a planta que vive à maior profundidade conhecida, uma alga marinha que já foi descoberta a uma profundidade de 382 metros.

«A nova reserva protege alguns dos "habitats" oceânicos mais antigos na Terra», destacou a Pew, em comunicado.

Em 2013, a Pew, a National Geographic e um órgão eleito local neste remoto arquipélago, o Conselho da Ilha Pitcairn, apresentaram uma proposta para a criação da reserva.

«A Reserva Marinha das Ilhas Pitcairn vai criar um refúgio no oceano virgem para proteger e conservar uma vida marinha rica», disse Matt Rand, diretor do projeto Herança do Oceano Global, desenvolvido pela Pew.

Pitcairn foi colonizada em 1789 pelos amotinados do navio britânico Bounty, que deixaram o capitão da embarcação, William Bligh, à deriva no Pacífico Sul.

Muitas das famílias dos amotinados mudaram-se entretanto de Pitcairn, uma ilha com cinco quilómetros quadrados entre a Nova Zelândia e o Chile, para a ilha maior de Norfolk, em 1856.

Enric Sala, um explorador da National Geographic, que integrou uma expedição científica que visitou as ilhas, disse que a decisão «vai proteger a verdadeira dádiva (um dos significados de "bounty") das Ilhas Pitcairn, uma grande quantidade de vida marinha única nos envolventes e prístinos mares».