O Conselho de Segurança da ONU vai adotar esta quinta-feira uma resolução com o objetivo de cortar os milhões de dólares que financiam o Estado Islâmico, provenientes da venda de petróleo, do tráfico de antiguidades e do pagamento de resgates.

A Rússia apresentou a primeira versão, que reafirma a intenção do conselho de enfrentar a ameaça dos jihadistas que se apoderaram de partes da Síria e do Iraque há cerca de um ano.

Esta resolução impõe sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam negócios com petróleo com o Estado Islâmico, com o seu grupo associado na Síria, o Al-Nusra Front, e com outros grupos associados à Al-Qaida.

A medida insta os 193 países membros das Nações Unidas a tomarem «os passos apropriados» para impedir o comércio de bens culturais vindos do Iraque e da Síria e pede à UNESCO que imponha restrições.

A resolução lembra também que os governos dos vários países do mundo devem «impedir que terroristas beneficiem direta ou indiretamente de pagamentos de resgate a partir de concessões políticas» de modo a garantir a libertação de reféns.

Esta resolução pode ser aplicada através de sanções ou uso de força, apesar de não autorizar a ação de forças militares.

Um relatório da equipa da ONU de monitorização da Al-Qaida, publicado em novembro, estima que os jihadistas ganhem entre 850.000 e 1,65 milhões de dólares (entre 750.000 e 1,45 milhões de euros) por dia apenas com a venda de petróleo.

O Iraque esclareceu que não pediu a presença de forças estrangeiras no terreno para combater o Estado Islâmico, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Ibrahim al-Jafaari, depois de Barack Obama ter apelado a operações militares mais intensas.

O Presidente norte-americano disse na quarta-feira que não hesitaria em enviar forças especiais para matar os líderes do Estado Islâmico, instando o Congresso a autorizar, se necessário, uma luta contra os extremistas mais intensa do que a atual.

Em Sydney, o ministro iraquiano disse que a presença de tropas no terreno não fazia parte do plano do Governo.

«Nunca pedimos uma contribuição com forças no terreno. Estabelecemos um conjunto de diretivas» para o funcionamento da coligação internacional, disse depois de encontros com a homóloga australiana, Julie Bishop.

Essas diretivas incluem apoio aéreo às forças iraquianas, formação de pessoal e serviços de informação, lembrou.

«A mensagem que o Iraque submeteu ao Conselho de Segurança [da ONU] nunca incluiu pedidos para que forças no terreno entrassem no território iraquiano para conduzir operações», frisou.

No entanto, Ibrahim al-Jafaari admitiu que o país está «no início de uma intensa guerra e a situação pode mudar».