A chanceler alemã afirmou hoje, à chegada a Bruxelas para o Conselho Europeu, que «espionagem entre amigos é algo que não se faz», referindo-se às escutas de que terá sido alvo por parte dos serviços secretos norte-americanos.

Sustentando que a espionagem entre aliados é «inaceitável», e que «a confiança deve ser agora restabelecida», Merkel revelou que já teve oportunidade de dizer isso mesmo ao Presidente norte-americano, Barack Obama, na quarta-feira à noite, em conversa telefónica.

Entretanto, o jornal «The Guardian» revelou um documento fornecido por Edward Snowden que mostra que a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) escutou os telemóveis de 35 líderes mundiais. O documento, no entanto, não revela quem era os alvos da espionagem dos EUA.

Os números de telefone foram dados pela Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Estado. O documento classificado indica que a NSA trabalhou de perto com os departamentos «clientes» do Governo norte-americano para garantir a segurança das ligações telefónicas com políticos estrangeiros de relevo.

Um dirigente norte-americano, não identificado, entregou mais de 200 números, incluindo os de líderes mundiais que foram imediatamente «trabalhados» para serem vigiados pela NSA.

Esta quinta-feira, o Governo dos Estados Unidos não esclareceu se espiou ou não no passado um telemóvel da chanceler alemã, Angela Merkel, e reiterou que atualmente não está a monitorizar as suas comunicações nem o pensa fazer no futuro.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, escusou-se hoje na sua conferência de imprensa diária a responder à pergunta se os serviços secretos norte-americanos espiaram no passado o telefone de Merkel e argumentou que o Governo não vai falar publicamente sobre isso.

Segundo o diário «Die Welt», os serviços secretos alemães suspeitam que os EUA escutaram um telemóvel que Merkel usou entre outubro de 1999 e o passado mês de julho.

As autoridades de Berlim acreditam que os EUA espiaram a chanceler e exigem explicações a Washington.