
Barack Obama tem um problema para resolver até às eleições de 6 de novembro: o voto dos imigrantes. Claro que Mitt Romney já facilitou a sua tarefa, ao excluir grande parte desse eleitorado com as suas gaffes, mas a verdade é que o presidente dos Estados Unidos continua sem conseguir aprovar leis de imigração. Essa foi, aliás, a grande questão na entrevista que deu esta terça-feira à noite, em Miami, à estação de televisão latina «Univision».
A pergunta foi feita em espanhol por Jorge Ramos, um dos entrevistadores: «No início de seu governo, tinha o controlo das duas câmaras do Congresso e ainda assim não apresentou uma reforma da imigração. O senhor prometeu e uma promessa é uma promessa, e, com todo o respeito, o senhor não a cumpriu. Porquê?»
O presidente respondeu que a principal preocupação no primeiro ano de mandato foi combater a crise económica. Os esforços para preparar o terreno para a legislação de imigração terão sido travados pela indiferença republicana. «Não conseguimos que nenhum republicano, nem sequer os 20 que já haviam votado em favor da reforma, se juntasse a nós. Muitos acreditam que o presidente é o todo-poderoso, mas eu só lidero o Executivo. Confesso que não esperava e assumo a minha responsabilidade por ter sido ingénuo neste assunto. Prometi que faria o possível e que trabalharia todos os dias para conseguir que todos tenham a oportunidade de realizar o sonho americano, e essa promessa eu cumpri», afirmou.
«Estou absolutamente seguro que se a comunidade latina e a americana que se importa com este assunto votar pode enviar uma mensagem de que isto não é um jogo político e que a vida das pessoas está em jogo», defendeu Obama.
No final da entrevista, o pivô perguntou-lhe qual era a maior falha da sua presidência. «Bem, Jorge, como você recordou, não consegui fazer uma reforma da imigração. O facto de não termos alterado o tom em Washington é dececionante. Aprendi algumas lições. A mais importante é que não se pode mudar Washington a partir do interior. Só se pode mudar estando de fora».
Todos os sectores da administração pública vão estar parados no próximo mês. Data só será anunciada no final de maio