Tal como milhares de refugiados, Nujeen Mustafa e a família fugiram da Síria no ano passado para fugir à guerra.

Mas Nujeen, uma adolescente de 17 anos com paralisia cerebral, enfrentou uma dificuldade acrescida: teve de percorrer 5.782 quilómetros de cadeira de rodas com a ajuda da irmã, que a empurrou.

A jovem tinha apreendido a falar inglês sozinha, através da televisão, uma vez que não frequentava a escola e passava horas a fio a ver programas. Por isso, quando o bote com a família chegou a Lesbos, numa viagem que lhes custou 1.300 euros por cabeça, foi ela quem falou com o fotojornalista espanhol que os tentou ajudar.

Estava feliz por ser útil e poder praticar o inglês que tinha aprendido nos últimos três anos”, contou ao El País.

Nujeen chegou à Europa no mesmo dia em que o mundo se chocava com a imagem do corpo do pequeno Aylan, de apenas três anos, numa praia turca depois do bote em que viajava com a família ter naufragado.

Na sua cadeira de rodas, atravessou a Grécia, a Macedónia, a Sérvia, a Croácia, a Eslovénia e a Áustria até à Alemanha, onde vive agora.

A viagem foi uma verdadeira aventura e levou a adolescente, antes praticamente confinada a um apartamento, a descobrir o mundo de rajada. Viu o mar, o Mediterrâneo, andou de avião pela primeira vez, separou-se dos pais, que estão como refugiados na Turquia, dormiu num hotel e viajou de comboio.

Eu pensava: “Isto acontece uma vez na vida, tenho de desfrutar””, afirmou.

Na Eslovénia, quando as irmãs foram barradas, Nujeen conta que chorou pela primeira vez.

Agora, vive com a irmã em Colónia, na Alemanha, onde frequenta a escola e faz uma vida normal.

O plano A é estudar física para ser astronauta. O plano B é ser escritora profissional. Os alemães têm sempre um plano B”, explicou.

Nujeen conta agora a sua história em livro, com a ajuda de Christina Lamb, a biógrafa de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa distinguida com o Nobel da Paz.

A jovem, cujo grande objetivo é agora conseguir que também os pais cheguem à Alemanha, não perde também a esperança de regressar ao seu país.

"Tenho esperança que a guerra acabe. Nada dura para sempre, não é?”