Uma ama foi considerada culpada da morte de dois irmãos, uma menina de seis anos e um menino de dois, que estavam ao seu cuidado na casa da família em Manhattan, Nova Iorque. A mulher, Yoselyn Ortega, conhece a sentença a 14 de maio, mas dificilmente escapará à pena de prisão perpétua.

Os homicídios ocorreram em outubro de 2012, mas o julgamento começou apenas no passado dia 1 de março.

No tribunal esteve apenas o pai, Kevin Krim, que chorou. Já Yoselyn Ortega, a ama considerada de confiança e até da família, não revelou qualquer sinal de arrependimento.

Naquela tarde trágica foi a mãe, Marina Krim, e a filha do meio, Nessie, de três anos, a darem com os corpos de Lucie e Leo na banheira, esfaqueados até à morte. Ao lado estava “Josie”, como carinhosamente as crianças a tratavam, com uma faca na mão que desferia sobre si mesma. Não morreu, ao contrário de Lucie, de seis anos, e de Leo, de dois.

Nada fazia prever aquele desfecho. Os miúdos gostavam de “Josie” e a família tinha, inclusive, passado férias na República Dominicana, de onde Yoselyn Ortega era natural, na casa de familiares da ama, meses antes.

Marina Krim tinha saído com Nessie para a levar a uma aula de natação. O reencontro estava marcado para as 17:30, hora a que Lucia tinha uma aula de dança, mas nem sinal da ama ou dos filhos.

A mãe regressou a casa e encontrou as luzes apagadas. Saiu e voltou à entrada do prédio para perguntar ao porteiro se os tinha visto, mas não tinha. Voltou a casa e começou a percorrer as divisões com Nessie, encontrando os filhos já sem vida na banheira e a ama a tentar, alegadamente, suicidar-se, de acordo com o relato do então comissário da polícia nova-iorquina, Ray Kelly.

Nessie, então com três anos, viu tudo o que a mãe não consegue esquecer. O pai, Kevin, estava fora e foi recebido nessa mesma noite pela polícia, ainda no aeroporto John F. Kennedy, que lhe deu a notícia.

Joselyn Ortega, que tem cidadania norte-americana, vivia em Manhattan com o filho, a irmã e a sobrinha. Trabalhava há dois anos com os Krim, depois de lhes ter sido apresentada por um amigo da família.

Ninguém tinha nada a apontar a “Josie”, nem sequer em pesadelos. A homicida não pensaria da mesma forma, mas não houve confissão nem explicação, apenas factos demasiado trágicos para serem desmentidos.

“Desde que a Lulu e o Leo morreram tivemos mais dois filhos, Felix e Linus. Eles, juntamente com a forte Nessie, são geneticamente e espiritualmente metade Lulu e metade Leo”, escreveu o pai no blog da família.