A autarquia de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, anunciou esta sexta-feira uma campanha publicitária inédita para ajudar as meninas, com idades entre os sete e os 12 anos, a sentirem-se bem na sua pele.

Bombardeadas constantemente com anúncios que ditam padrões de beleza, onde impera a magreza, as raparigas começam, cada vez mais cedo, a preocupar-se com a aparência física.

De acordo com vários estudos, citados pela agência noticiosa France Presse (AFP), mais de 80 por cento das meninas norte-americanas de dez anos têm medo de serem gordas, e na universidade, entre 40 a 70% não gostam de duas ou mais partes dos seus corpos.

Além disso, a autoconfiança destas meninas está no nível mínimo entre os 12 e os 15 anos.

A partir desta semana pode ler-se numa mensagem afixada em autocarros, no metro e em cabines telefónicas: «Sou uma menina, sou bonita como sou».

Os anúncios mostram 15 meninas sorridentes, que representam a diversidade da cidade ¿ brancas, latinas, afro-americanas e asiáticas. Umas jogam basquetebol, outras xadrez e outras correm. Muitas estão acima do peso, algumas usam aparelho nos dentes e uma está numa cadeira de rodas.

As legendas das imagens variam, mas enfatizam as qualidades delas: «Sou engraçada, brincalhona, corajosa, forte, curiosa, inteligente, saudável, simpática e atenciosa», é frase que acompanha a fotografia de DeVoray, uma robusta afro-americana de 12 anos.

Daqui a três meses, passará a ser exibido nos táxis da cidade um vídeo da campanha, adiantou a diretora do projeto «As meninas de Nova Iorque», Samantha Levine, em declarações à AFP.

«Nova Iorque é uma das cidades norte-americanas com população mais diversificada, com mulheres robustas que sobressaem em todas as áreas. E no entanto, as meninas, cada vez mais jovens, têm problemas com a sua imagem», afirmou o presidente da câmara municipal de Nova Iorque, Michael Bloomberg, na apresentação da campanha.

Esta questão «tem implicações na saúde pública: distúrbios alimentares, bullying, consumo abusivo de álcool, obesidade e relações sexuais precoces», acrescentou.

Se 63% das meninas reconhecem que a imagem feminina projetada no mundo da moda é irrealista, 60% admitem que comparam os seus corpos aos das manequins e 48% que gostariam de ser mais magras.

Ainda de acordo com estudos citados na apresentação da campanha, mais de um terço, 31%, faz dieta ou recusa-se a comer, para tentar emagrecer.

Além da campanha, que irá estar visível durante quatro semanas nos autocarros e nas cabines telefónicas, e oito semanas no metro, será lançado um programa piloto de sensibilização à autoconfiança, que irá realizar-se em meia dúzia de escolas, durante as atividades escolares de mais de 75 estabelecimentos de ensino.