A Noruega tornou-se, recentemente, no quinto país do mundo a permitir a mudança de género sem consentimento médico ou realização de intervenção cirúrgica. Países como a Argentina, a Irlanda e a Dinamarca já o permitem. No entanto, apenas Malta e Noruega permitem que a lei se aplique também a crianças.

Desde de que tenham o consentimento dos pais, as crianças, a partir dos seis anos, já podem mudar de sexo no papel. Sem contemplar o recurso a cirurgia ou acompanhamento psicológico, na Noruega, este processo é muito fácil e, até ao momento, nenhuma das solicitações foi recusada. Tudo é feito online. Depois de aprovado o requerimento, recebem um número que permite alterar todas as formas de identificação, desde passaportes e cartas de condução, a certificados de nascimentos e cartões de crédito.

Apesar de ter existido alguma controvérsia em torno desta nova lei, a mesma foi aprovada em junho, no Parlamento norueguês, com 79 votos a favor e 13 contra. 

A Associação Norueguesa para o Género e Diversidade Sexual, que ajudou na elaboração desta lei, declara-se satisfeita com o facto de terem conseguido reduzir o limite de idade para aplicação da nova lei, de sete para seis anos, para que desta forma as crianças possam começar a sua vida escolar com todos os seus dados atualizados.

A história de Anna

Anna Thulin-Myge é, aparentemente, uma menina de dez anos com longos cabelos loiros como tantas outras. No entanto, ao olharmos para o seu passaporte surge a dúvida quanto ao seu género: vemos um “M” de masculino, quando deveria estar um “F” de feminino. Mas isso mudará, garante Anna.

“Dentro de umas semanas vou ter um novo passaporte, e agora terá um “F”, assegura Anna, de acordo com a AP.

Siri Oline Myge, mãe de Anna, revela que foi aos três anos que percebeu que a filha estava diferente. Anna foi alvo de bullying por parte dos colegas, mas, este ano, mudou para uma nova escola onde ninguém conhece o Adrian, apenas a Anna.