O presidente francês, François Hollande, prestou esta sexta-feira «a homenagem da nação» às 20.000 vítimas civis, às famílias «que conheceram o caos» durante a Batalha da Normandia, na primeira cerimónia do 70.º aniversário do Desembarque aliado.

Este é o primeiro reconhecimento oficial dos cerca de 20.000 mortos entre 06 de junho e 22 de agosto de 1944. A região só ficou definitivamente livre do domínio nazi a 12 de setembro.

«Quero hoje, neste 70.º aniversário, que a homenagem da nação possa dirigir-se a todos, civis e militares (...). Quero que o papel dos normandos seja reconhecido», declarou o chefe de Estado num discurso proferido no Memorial de Caen.

Dia mais longo da II Guerra Mundial foi há 70 anos

A 6 de junho de 1944, a Europa assistiu ao início do fim da II Guerra Mundial, com o desembarque da maior frota militar anfíbia de sempre nas costas da Normandia. A França encontrava-se ocupada pelo exército nazi há quatro anos e cerca de 160 mil soldados das forças aliadas e mais de sete mil embarcações participam na chamada «operação Neptuno».

Uma ofensiva inesperada para os alemães, que confundidos por informações falsas enviadas por uma célula especial de contra-espionagem, baseada no Reino Unido, pensavam tratar-se apenas de uma manobra de diversão.

A operação, considerada fundamental para enfraquecer consideravelmente o exército alemão, começou às primeiras horas da madrugada com a largada de mais de uma centena de paraquedistas britânicos para garantir a segurança da ponte de Benouville, estratégica para a continuação da operação.

Horas depois, as primeiras embarcações chegaram às cinco praias da costa da Normandia, com militares britânicos, norte-americanos e canadianos. Morreram mais de 10 mil soldados aliados e quase 9 mil do exército alemão.

Comemorações prosseguem durante a tarde

Esta sexta-feira, depois da homenagem que alguns dos sobreviventes da operação por ar e mar, prestaram às vítimas civis, no memorial de Caen, presididas pelo Presidente francês, François Hollande, segue-se a homenagem aos dez mil soldados americanos enterrados no cemitério de Colleville-sur-Mer, perto da praia de Omaha, que conta também com a presença de Barack Obama.

À tarde, duas dezenas de chefes de Estado e de Governo, entre os quais a rainha Isabel II de Inglaterra e a chanceler alemã, Angela Merkel, vão assistir à celebração oficial, na praia de Ouistreham, onde estarão também os politicamente desavindos líderes russo e ucraniano, Vladimir Putin e Petro Poroshenko, respetivamente.

Fardados a rigor, cerca de 1800 veteranos prestarão homenagem aos 3800 soldados que não sobreviveram ao desembarque e a outros tantos civis franceses que morreram no decurso da operação.

As cerimónias terminarão com um jantar de Estado oferecido pelo Presidente francês, no Palácio do Eliseu, em honra da rainha de Inglaterra, de visita oficial a França.