A ex-namorada do assassino confesso de Maelys de Araújo apresentou uma queixa na polícia em que dizia que o militar podia “colocar em perigo a vida de terceiros”. A queixa foi apresentada um mês antes da morte da menina lusodescendente, segundo revela o jornal Le Parisien. Uma queixa que não teve quaisquer consequências.

De acordo com o mesmo jornal, Karine, de 38 anos, ainda hoje vive traumatizada devido às agressões que sofreu por parte de Nordahl Lelandais e a sua história é contada pela voz do advogado, Ronald Gallo. 

O casal conheceu-se em 2015, através de um website que promove encontros amorosos. Mas quando Karine descobriu que o antigo militar se relacionava com outras mulheres e decidiu terminar o namoro, em dezembro de 2016, Lelandais começou a revelar uma faceta que até então procurava esconder: uma personalidade violenta.

Ele esbofeteou-a violentamente. Ele não queria aquela separação”, explicou o seu advogado Ronald Gallo, em declarações ao jornal francês.

Depois de ter sido perseguida e assediada, Karine decidiu mudar de número de telefone. Mas Lelandais sabia onde a ex-namorada costumava ir passear o cão e, um dia, decidiu aparecer ao local com um aparador de sebes na mão. A mulher ficou aterrorizada.

Outro dia, em Pont-de-Beauvoisin, o antigo militar, que estava dentro do seu automóvel, conseguiu bloquear a passagem a Karine e ameaçou-a: “Isto vai ficar sério para ti!”, atirou.

Karine deicidiu ir à polícia contar o que se tinha passado, mas em vão. Os agentes disseram-lhe que não tinha provas do que tinha acontecido e aconselharam-na a parar de o provocar.

Disseram-lhe que ela não tinha qualquer prova, que tinha de parar de provocar Lelandais”, contou o advogado.

Foi a 18 de julho do ano passado, um mês antes da morte de Maelys, que um novo episódio de violência a levou novamente a uma esquadra da polícia.

Ao volante do seu carro, Lelandais esbarrou contra a minha cliente, que estava no seu carro, e ela por um triz conseguiu escapar à colisão e ao acidente", sublinhou Gallo.

“Quando ela chegou à esquadra da polícia em Pont-de-Beauvoisin, Lelandais já lá estava”, acrescentou o advogado.

Mas desta vez, a mulher não desistiu e apresentou queixa. 

"Os agentes aceitaram a queixa e o procurador em Chambéry considerou os factos suscetíveis de colocarem a vida de terceiros em risco de morte imediata", vincou Gallo.

A queixa, porém, não teve quaisquer consequências. E um mês depois, a 27 de agosto, numa festa de casamento em Pont-de Beauvoisin, Lelandais raptou Maelys e, segundo o próprio confessou às autoridades, matou a menina "involuntariamente".