O Governo do Iémen está a investigar uma alegada morte de uma menina com oito anos, de ferimentos sofridos na primeira noite do seu casamento com um homem com cerca de 40 anos, anunciou fonte oficial na sexta-feira.

Foi formado uma comissão «para investigar os relatos sobre a morte da menina, chamada Rawan, depois de ter sido casada com um homem mais velho», disse o porta-voz do Executivo, Rajeh Badi, à agência noticiosa AFP.

«O crime ainda não está confirmado. O trabalho do grupo é o de verificar se o crime ocorreu ou não», disse, adiantando que a polícia não tinha relatado qualquer problema.

Disse ainda que a comissão tinha de completar o seu trabalho até sábado (hoje).

Mas o ativista Ahmed al-Quraishi, presidente da organização de defesa dos direitos das crianças Siyaj, disse que vários ativistas tinham estado na província de Hajjah, no noroeste, tinham recolhido informação que praticamente confirma o caso.

«Nós, em Siyaj, estamos quase certos da morte da menina e que as autoridades estão a tentar encobrir o assunto», afirmou à AFP.

Acrescentou que vários residentes na cidade de Meedi disseram aos ativistas que tinham visto a menina com um telemóvel e destacaram que ia casar com um homem com cerca de 40 anos.

Afirmaram também que que ela desapareceu pouco depois, tal como a sua família, ainda de acordo com Quraishi.

Alguns locais disseram que a menina foi casada com o homem, que a levou para um hotel, e que ela morreu na primeira noite, devido a ferimentos causados pela relação sexual.

Contudo, um dirigente das forças de segurança na área disse aos ativistas, que estavam a investigar o caso, que a menina e o seu pai estavam retidos pela polícia, sem dar mais detalhes.

Os ativistas também descobriram que o pai de Rawan tem outra filha, com 10 anos, que também já está casada.

Na sexta-feira, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que a notícia da alegada morte era aterradora e instou o Iémen a proibir os casamentos com crianças.

A organização Human Rights Watch tinha dito na quarta-feira que 14% das raparigas do Iémen eram casadas antes dos 15 anos e 52% antes dos 18 anos, mencionando informação iemenita e da Organização das Nações Unidas, datada de 2006, escreve a Lusa.

Há uns meses, uma menina alertou o mundo para o problema num vídeo publicado na Internet.