«Se a melhor forma de servir o meu país é através da política e de um cargo como o de primeira-ministra, então definitivamente vou escolher isso», disse a adolescente ao programa «HARDtalk», antes da cerimónia em que recebeu o Prémio Nobel da Paz, em Oslo, na Noruega.


«Quero servir o meu país e o meu sonho é que o meu país se torne um país desenvolvido e que eu veja todas as crianças ter educação», acrescentou Malala na mesma entrevista.


Educação para todas as crianças

«Porque é que dar armas é tão simples, mas dar livros tão duro?», questionou a adolescente paquistanesa.


«Porque é que os países a que chamamos fortes são tão poderosos criando guerras, mas tão frágeis para trazer a paz? Porque é que dar armas é tão simples, mas dar livros tão duro? Porque é que construir tanques é tão fácil, mas construir edifícios tão difícil?», perguntou Malala na cerimónia realizada na câmara municipal de Oslo.


«Tinha duas opções, uma era ficar em silêncio e esperar que me matassem. A outra era falar e depois matarem-me. Escolhi a segunda», afirmou a jovem, acrescentando que o ataque tornou-a «mais forte».


«Não sou uma voz solitária, represento muitas vozes. (…) Represento 66 milhões de raparigas que estão fora das escolas», disse ainda no discurso, no qual citou o Corão e recordou o ativista norte-americano Martin Luther King e o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.




Contra a cultura do «silêncio» e da «passividade»



«Recuso-me a aceitar que o mundo é muito pobre [para educar as crianças] quando uma única semana de despesas militares mundiais seria suficiente para colocar todas as nossas crianças nas salas de aulas», afirmou o engenheiro de formação, que já foi em diversas ocasiões alvo de agressões.

«Recuso-me a aceitar que as redes de escravatura sejam mais fortes do que a busca pela liberdade», acrescentou.


A organização de Kailash Satyarthi, que conta com uma rede de ativistas em mais de 100 países, afirma ter resgatado cerca de 80 mil crianças de fábricas e oficinas.