O Vaticano criticou esta segunda-feira a escolha de Robert Edwards para o Prémio Nobel de Medicina 2010, dizendo que o britânico é responsável por um mercado «que vendeu milhões de ovócitos».

Sem Edwards «não teria existido um mercado que vendeu milhões de ovócitos» e «não haveria no mundo um grande número de congeladores cheios de embriões», afirmou o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, que lida com as questões da ética e da vida do Vaticano, citado pela agência noticiosa italiana Ansa.

Na melhor das hipóteses, sublinhou Ignacio Carrasco de Paula, os embriões estão à espera «para serem transferidos para o útero, mas mais provavelmente acabarão por ser descartados ou morrer», o que é um problema «pelo qual é responsável o novo Prémio Nobel», referiu o representante da Santa Sé.

O presidente da Pontifícia Academia para a Vida advogou ainda que sem Edwards a procriação assistida «não estaria no estado de confusão em que se encontra, com a situação incompreensível de crianças nascidas de avós e mães de aluguer».

Uma das tarefas da Pontifícia Academia para a Vida passa por investigar os principais problemas biomédicos e legais relativos à promoção e defesa da vida.

O Vaticano aceita desde o final de 2008 a fertilização assistida, mas considera «moralmente ilegal» a fertilização in vitro por causa do «sacrifício muito elevado de embriões».