Uma testemunha do ataque contra o Presidente da Guiné-Bissau diz que a guarda do antigo chefe de Estado fugiu e que entre quatro a cinco homens ficaram a defender «Nino» Vieira. «A guarda fugiu. Fugiram todos», afirmou a testemunha, em declarações à Agência Lusa.

A mesma pessoa conta que os homens que ficaram a defender o Presidente estavam a responder ao ataque, mas terão alegadamente ficado sem munições. Quando ocorreu o ataque, estariam em casa de «Nino» Vieira, sem contar com a segurança do Presidente, pelo menos seis pessoas, nomeadamente uma empregada e vários assessores da Presidência guineense.

A testemunha contou que o Presidente esteve a trabalhar até tarde no dia de domingo com os elementos da sua assessoria por causa do atentado à bomba contra o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, horas antes.

«O Presidente esteve reunido com as chefias militares e com o ministro da Defesa», afirmou a testemunha.

A mesma fonte contou que o Presidente «Nino» Vieira também esteve para se reunir com o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, mas a reunião acabou por ser adiada para segunda-feira de manhã por «razões de segurança». «Por volta das 03:00 (mesma hora de Lisboa) fomos avisados pela segurança que a casa estava cercada», afirmou à Lusa, sublinhando que cerca das 04:00 começaram a ser disparados os primeiros tiros.

Nessa altura, os assessores do Presidente e a emprega tentaram sair de casa pelas traseiras, mas um elemento ficou ferido por estilhaços provocados pelo lançamento de uma granada e acabaram por se refugiar num anexo das traseiras da habitação.

Em casa, ficou o Presidente «Nino» Vieira e a primeira-dama, Isabel Vieira, acrescentou a testemunha. Os tiros e o ataque acabaram cerca de uma hora mais tarde.

Já ao início da manhã, os sobreviventes do ataque à residência do Presidente foram descobertos pelos militares, a quem pediram para não ser mortos.