Os Estados Unidos "continuam empenhados no processo de paz" no Médio Oriente, disse no Conselho de Segurança da ONU a embaixadora Nikki Haley, numa declaração na qual também acusou as Nações Unidas de "hostilidade contra Israel".

Nikki Haley falava no decorrer da reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, convocada a propósito da decisão do Presidente Donald Trump de reconhecer unilateralmente Jerusalém como capital de Israel. A decisão de Trump foi recebida com hostilidade pela diplomacia internacional, com a exceção de Israel, e com condenação pelo Mundo Árabe, que convocou protestos em Jerusalém, Faixa de Gaza e Cisjordânia.

Na reunião do Conselho de Segurança, Nikki Haley criticou a "hostilidade [das Nações Unidas] contra Israel", que existe "desde há muitos anos".

Também defendeu que a ONU deve aceitar "o óbvio" e reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"As Nações Unidas danificaram mais as possibilidades de uma paz no Médio Oriente do que as fizeram avançar", referiu Nikki Haley.

No entanto, Nikki Haley sublinhou que os Estados Unidos "continuam empenhados no processo de paz" no Médio Oriente, mas rejeitam "sermões ou lições".

"Compreendo que a mudança seja difícil" para os outros membros da comunidade internacional, acrescentou a diplomata."Mas as nossas ações visam fazer avançar a causa da paz. (...) Queremos um acordo negociado", completou.

Para a embaixadora dos EUA junto da ONU, o Presidente Trump "não tomou posição sobre os limites das fronteiras" de Jerusalém, Gaza ou Cisjordânia. O "’status quo’ quanto aos locais sagrados mantém-se", sublinhou.

Na quarta-feira, o Presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos iriam mudar a sua embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém, reconhecendo a cidade como capital daquele país.

A mudança de política diplomática - os Estados Unidos afirmavam, até agora, manter a neutralidade no conflito israelo-palestiniano - enfureceu o Mundo Árabe e os muçulmanos em geral, que encaram a decisão como uma confirmação de que os Estados Unidos escolheram o lado de Israel no mais perigoso e duradouro conflito da região do Médio Oriente.

Jerusalém alberga alguns dos mais sagrados locais de culto para muçulmanos e cristãos, bem como o mais sagrado local religioso do Judaísmo. Os palestinianos querem ter como capital de um futuro Estado da Palestina o setor oriental da cidade, anexado por Israel. Já Israel não quer ceder qualquer parte da cidade, que considera a sua capital histórica.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental da cidade, conquistada em 1967.