Pelo menos oito igrejas foram incendiadas no Níger e realizaram-se manifestações na sexta-feira na capital do país, Niamey, contra a publicação, pelo semanário francês Charlie Hebdo, de uma caricatura de Maomé.

A AFP noticia que se realizaram manifestações espontâneas, além de Niamey, em Maradi, uma cidade localizada entre a capital e Zinder, a segunda cidade do país, onde as manifestações causaram na sexta-feira, quatro mortos e 45 feridos.

Cerca de 300 cristãos estão atualmente sob proteção militar em Zinder. Segundo uma fonte das forças de segurança, citada pela AFP, 255 cristãos foram encontrados escondidos numa caserna.

Cerca de 70 outros cristãos encontram-se numa igreja evangélica, protegidos pela Polícia e Guarda Nacional, disse à AFP um dos evangélicos refugiados.

Contra esta onda de violência, 20 ulemas, teólogos muçulmanos, pediram o retorno à calma nas ruas da capital e de outras cidades do país.

«Não se esqueçam que o Islão é contra a violência», proclamou o pregador Yaou Sonna na televisão pública do Níger.

As oito igrejas incendiadas, a maioria de culto evangélico, localizam-se todas na margem esquerda do rio Níger, algumas situadas em aldeias, sem qualquer sinal distintivo exterior, noticia a AFP.

As manifestações começaram hoje à tarde a dirigir-se para a margem direita do Níger, onde se encontram outras igrejas cristãs.

Segundo a AFP, muitos bares, hotéis, tabernas e várias lojas pertencentes a não-muçulmanos ou empresários ligados a empresas francesas, também foram destruídos.

Uma fonte das forças de segurança disse à agência noticiosa francesa que os tumultos em Niamey foram causados por seis grupos de 200 a 300 manifestantes armados com paus, barras de ferro e picaretas.