«A extrema-direita não é o primeiro partido político da França», Manuel Valls


Vitória de Sarkozy e derrota da esquerda é melhor que a Frente Nacional em maioria. Será esta a conclusão que se retira das palavras do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, após a derrota dos socialistas nas eleições departamentais deste domingo.

O PS conseguiu apenas um terceiro lugar e Manuel Valls apela, agora, a uma união republicana para a segunda volta das eleições que garanta, pelo menos, a derrota da extrema-direita da Frente Nacional, que nestas eleições ficou em segundo lugar, logo atrás do UMP de Nicolas Sarkozy.

A campanha de «ataque» à extrema-direita de Marine Le Pen traduzia isso mesmo, mas, ainda assim, e julgando pelo pedido de apoio à direita quando os socialistas não servirem, parece que a esquerda do PM e presidente franceses se conformou com a perda de popularidade na França e está pelo menos «satisfeita» por ver que a Frente Nacional não é o maior partido do país, como disse Manuel Valls logo após a divulgação dos primeiros resultados do escrutínio.

«Os partidos republicanos conseguiram o seu lugar. A extrema-direita, ainda que bem sucedida, não é o primeiro partido político da França».


Não é o primeiro, como diz Valls, mas é sem dúvida o segundo, e Marine Le Pen não podia estar mais satisfeita. Ao conseguir cerca de 26% dos votos, a Frente Nacional conseguiu o maior resultado de sempre numas eleições departamentais, a segunda vitória de Le Pen, depois de ter vencido as eleições europeias em maio de 2014, com cerca de 25%.

«A Frente Nacional foi bem-sucedida nestas eleições, superou os resultados das Europeias. Esta votação massiva, que se reforça de eleição em eleição, mostra que a França quer recuperar a liberdade e que um número elevado de compatriotas percebeu que outra política é possível».


Marine Le Pen não hesitou, igualmente, em pedir a demissão do primeiro-ministro, que considera não ter condições para continuar a governar, depois de duas derrotas consecutivas dos socialistas (europeias e departamentais). A líder da Frente Nacional diz que o PS foi «expulso» de 1000 cantões, tendo ficado provado que a FN quebrou o bipartidarismo entre socialistas e o UMP que governa a França há vários anos.
 
O grande vencedor da noite acabou por ser Nicolas Sarkozy, cara da coligação de centro-direita União para um Movimento Popular (UMP/UDI), que viu o seu partido vencer as eleições com cerca de 36% dos votos, quando todas as sondagens davam a vitória a Marine Le Pen.

                   

Tal como Valls, o ex-presidente de França destacou a derrota da Frente Nacional acima dos interesses do seu partido, e apelou aos eleitores que deixem a extrema-direita de parte na segunda volta. Sarkozy garante que não haverá qualquer aliança com a extrema-direita, um partido que só vai piorar a situação do país.

«Quero dizer a todos os que votaram na Frente Nacional que percebemos as suas preocupações, mas este partido que tem o mesmo programa económico da extrema-esquerda e que aplaudiu a vitória da esquerda radical na Grécia, não vai resolver os problemas da França, pelo contrário, vai agravá-los. Confirmo que não haverá qualquer aliança local ou nacional com os líderes desse partido».


Com esta vitória, Sarkozy renova a esperança de um possível regresso ao palácio do Eliseu já em 2017, quando se discutirem as eleições presidenciais. Aliás, ao contrário do PM francês, que pediu uma união republicana contra a Frente Nacional, Sarkozy mantém-se fiel a si próprio com a sua política «ni-ni» (nem à direita, nem à esquerda), apelando ao voto apenas no UMP.

Jornalista Filipe Caetano explica os resultados das eleições departamentais

A segunda volta está marcada para o próximo domingo, 29 de março.