Mais de duas centenas de profissionais da comunicação social foram agredidos na Venezuela desde que em fevereiro último começaram os protestos em várias regiões do país, denunciou hoje o presidente do Colégio Nacional de Jornalistas (CNP).

«São aproximadamente 210 casos de agressões a trabalhadores da imprensa, dos quais a grande maioria não foi denunciada perante os organismos competentes, pelo medo que muitos vivem, devido às numerosas ameaças que recebem», disse Tinedo Guía.

A denúncia do presidente do CNP, entidade responsável pela atribuição da carteira profissional, foi efetuada durante uma conferência de imprensa em Caracas após uma reunião com integrantes do secretariado das diferentes delegações daquele organismo.

Por outro lado explicou que aquele o CNP está «em alerta» por uma providência administrativa publicada esta semana na Gazeta Oficial (equivalente ao Diário da República) que estabelece que as operadoras de televisão por assinatura não poderão incluir canais nacionais na grelha de programação, sem a autorização da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel).

A mesma providência estabelece ainda a obrigatoriedade de os canais venezuelanos voltarem a inscrever-se perante a Conatel para ter a autorização válida para operar, entre 2 e 5 anos.

Durante o encontro os profissionais da comunicação social decidiram reativar o Instituto de Melhoramento Profissional do Jornalista e debateram sobre alegadas violações à liberdade de expressão, ocorridas nos últimos anos, na Venezuela.

Tinedo Guía insistiu na importância de que os jornalistas que sejam agredidos ou cujos direitos sejam violados formalizem uma denúncia perante os organismos competentes, vincando que corresponde às autoridades garantir a segurança dos comunicadores sociais.

Há mais de três meses que se registam protestos diários na Venezuela, devido à crise económica, inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, alegada ingerência cubana e a repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos, durante os quais morreram pelo menos 42 pessoas, dez dos quais funcionários policiais ou militares. Por outro lado, 785 pessoas ficaram feridas, cerca de 3.000 foram detidas e apresentadas aos órgãos jurisdicionais e 197 estão presas.

Mais de uma dezena de polícias estão detidos e estão em curso 180 investigações por alegadas violações de direitos humanos fundamentais dos manifestantes.