A sessão inaugural da Assembleia Constituinte, cuja eleição foi promovida pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, começou nesta sexta-feira no parlamento venezuelano.

Inauguramos a Assembleia Nacional Constituinte do povo venezuelano”, declarou, no início da sessão, o decano dos constituintes, Fernando Soto, diante dos restantes membros eleitos, segundo relatam as agências de informação internacionais.

A ex-chefe da diplomacia venezuelana Delcy Rodriguez foi eleita presidente da Assembleia Constituinte, órgão eleito no domingo passado num escrutínio que foi boicotado pela oposição venezuelana e fortemente contestado a nível internacional.

Para esta sexta-feira, a oposição, que há meses protesta com barricadas nas ruas das principais cidades venezuelanas, tem marcadas manifestações na capitaol, Caracas.

Esta assembleia composta por 545 membros terá a missão de redigir uma nova Constituição.

O Ministério Público da Venezuela tinha pedido, na quinta-feira, ao tribunal, para que anulasse a instalação da Assembleia Nacional Constituinte que resultou das eleições de domingo, apesar de Nicolás Maduro não desarmar.

A decisão judicial não foi, contudo, conhecida a tempo de, eventualmente, travar as intenções do presidente venezuelano.

O Ministério Público justifica a anulação com a "presumível ocorrência de delitos durante o processo eleitoral".

A empresa que há mais de uma década contabiliza informaticamente os votos nas eleições, a Smartmatic, denunciou que houve manipulação de votos nas eleições: se a comissão nacional de eleições da venezuela diz que votaram 8,1 milhões de pessoas, a Smartmatic garante que esse número está inflacionado, "em pelo menos 1 milhão de pessoas".

Maduro chamou de "estúpido" ao dono da empresa Smartmatic. Mas o presidente dessa companhia, que desde 2004 fornece as máquinas de voto, não disse que votaram 7,5 milhões de eleitores sequer. Disse sim que o número oficial foi inflacionado pelo menos naquela ordem de grandeza.

A procuradora Luisa Ortega, uma chavista que é, atualmente, das maiores opositoras a Maduro, também anunciou uma investigação contra a autoridade eleitoral venezuelana. 

Na quinta-feira, os Estados Unidos esclareceram que consideram ilegítima a Assembleia Constituinte. A mesma posição tinha sido manifestada antes pela União Europeia, Portugal incluído.

O Vaticano pediu hoje a suspensão da dita assembleia, por considerar que pode "hipotecar o futuro" do país.