A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, criticada publicamente diversas vezes por não ter filhos, assumiu um dos motivos pelos quais fez essa escolha. Abordou um tema tabu não só para as mulheres, mas também para a sociedade em geral. A confissão foi criticada por alguns e elogiada por outros.

Em 2011, quando tinha 40 anos e era vice-primeira-ministra do país, Nicola Sturgeon, sofreu um aborto. Ao permitir que o facto fosse revelado num livro – “Os líderes do Partido Nacional Escocês” – esta mulher de topo da política apenas desejava que não se fizessem suposições erradas sobre as mulheres.

“Às vezes, ter um filho é algo que, simplesmente, não acontece – independentemente do quanto desejamos que aconteça”, confessa Nicola Sturgeon no seu testemunho publicado no livro.

Nicola Sturgeon não é a única líder política e partidária sem filhos. Angela Merkel, chefe de Estado alemã, e Theresa May, a nova primeira-ministra britânica, são outros exemplos. Dois nomes muitas vezes referidos pelos órgãos de comunicação social devido a esse facto.

Atualmente com 46 anos, a primeira-ministra escocesa considera ainda no seu testemunho, que “há muitas razões para as mulheres não terem filhos. Algumas simplesmente não querem, outras têm medo do impacto que possa ter na carreira”. “Na verdade”, assume Nicola Sturgeon, “ainda há muito para fazer, através de uma melhor rede de cuidados infantis, leis laborais mais progressistas e atitudes mais esclarecidas, por forma, que as mulheres não sintam que são obrigadas a escolher um caminho ou outro”.

 

 

Na verdade, o tema do aborto é tabu para muitas mulheres. Poucas admitem que o sentiram na pele, muito menos uma líder de um país.

“Ao permitir que a minha experiência pessoal seja divulgada espero, talvez ironicamente, contribuir que de alguma forma no futuro, estes assuntos sejam vistos como matéria privada e não tema de especulação, como agora acontece”.

Segundo os órgãos de comunicação social britânicos, os dados mais recentes do Serviço Nacional de Saúde britânico revelam que uma em cada seis gravidezes acaba em interrupção não voluntária. No entanto, apesar da realidade dos números, o tema quase nunca é discutido publicamente. Após esta revelação, muitos mostraram o seu apoio à primeira-ministra que, prontamente, agradeceu as mensagens recebidas.

 

O livro “Os líderes do Partido Nacional Escocês” vai ser lançado ainda durante o mês de setembro e a polémica promete não ficar por aqui. Na realidade, só a existência desta notícia já despoletou duras críticas contra o jornal britânico Sunday Times. Junto da notícia que referia esta confissão de Nicola Sturgeon, foi publicado um quadro com seis fotos de mulheres políticas sem filhos.

Muitos, por exemplo, questionaram o jornal pelas imagens dos homens políticos que também não tinham filhos. Outros consideraram o quadro, no mínimo, antiquado.