O Presidente da República desejou hoje a vitória da "paz, estabilidade, unidade" na Turquia, na sequência da tentativa de golpe de Estado, defendendo o primado do Estado de Direito democrático e direitos fundamentais.

"O Ministro dos Negócios Estrangeiros já referiu a posição portuguesa e a posição do Presidente é a de esperar que vença a causa da paz, estabilidade, unidade e do respeito pelos princípios do Estado de Direito democrático e dos direitos fundamentais das pessoas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, à margem da inauguração do monumento do centenário da aviação militar portuguesa, em Vila Nova da Rainha, Azambuja.

Presidente lamentou encurtamento da visita de Hollande a Portugal

Marcelo lamentou ainda o encurtamento da visita do seu homólogo francês, François Hollande, a Portugal, na terça-feira, adiantando que várias iniciativas foram canceladas, o que considerou compreensível devido ao atentado de Nice.

"Infelizmente, por causa daquela tragédia, tivemos de encurtar a presença em Portugal do Presidente da República Francesa, que terá as reuniões com o Presidente da República e, depois, com o primeiro-ministro, mas estará um número de horas muito inferior ao que estava pensado, o que se compreende por força das cerimónias fúnebres em França e da situação vivida naquele país amigo", disse.

À margem do evento da Azambuja, Presidente da República esclareceu que "os eventos festivos foram todos anulados, nomeadamente encontros com a comunidade francesa, um jantar, a presença de alunos do Liceu Francês, tudo isso foi cancelado para observar o luto próprio da situação".

Na quinta-feira à noite, um camião avançou durante dois quilómetros sobre uma multidão na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), em Nice, que estava a assistir ao fogo-de-artifício para celebrar o dia de França.

O último balanço das autoridades francesas aponta para 84 mortos e 202 feridos. Pelo menos um cidadão português ficou ferido no ataque, confirmou o Governo. O condutor do camião foi abatido pela polícia.

As autoridades francesas consideraram estar-se perante um atentado e o Presidente da França, François Hollande, anunciou o prolongamento por mais três meses do estado de emergência que vigora no país desde o ano passado. O grupo extremista Estado Islâmico reclamou a autoria do atentado.