Winnie Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela, morreu aos 81 anos.

"É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Madikizela Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo segunda-feira 2 de abril", anunciou Victor Dlamini, o seu assistente pessoal, em comunicado.

Nota refere que Winnie Mandela foi vítima de uma "doença prolongada".

Winnie foi companheira do antigo presidente da África do Sul durante o período em que ele esteve preso e a relação terminou pouco depois da libertação de Mandela, após esta ter sido envolvida em fraudes e crimes.

Conheceu Mandela em 1957, no Congresso Nacional Africano, e casaram um ano depois. Da relação com o "Madiba" nasceram duas filhas. Depois, Mandela foi preso e assim permaneceu durante quase 27 anos.

Winnie foi mesmo perseguida pelo regime Apartheid e esteve presa durante dezassete meses e, a partir de 1970, em prisão domiciliária. Sempre muito ativa na luta pelos direitos dos negros, Winnie criou a Federação das Mulheres Negras e a Associação dos Pais Negros e por isso foi presa novamente em 1977. 

Em 1986 voltou à "luta", mas aí numa forma de oposição que afastou muitos dos militantes anti-Apartheid, por castigar os dissidentes. Criou inclusive uma milícia, disfarçada de equipa de futebol: o Mandela United Futebol Clube. Esta milícia foi responsável por inúmeras mortes e torturas.

Mandela foi libertado em 1990 e Winnie juntou-se a ele na luta contra o regime, mas o casamento apenas demorou mais dois anos. Ainda chegou a ser Ministra das Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia, no Governo de Mandela (1994), mas foi demitida após a suspeita de fraude.

Desde 1991 o seu nome foi envolvido em vários crimes e polémicas, inclusive de um homicídio de uma jovem no qual foi condenada mas a pena de prisão transformada em multa. Em 2001 foi mesmo acusada de dezenas de crimes, tendo sido considerada culpada por 43 acusações de fraude e 25 de roubo e condenada a cinco anos de prisão. Recorreu e em 2004 foi absolvida das acusações de roubo, mas não das de fraude, e teve suspensa a pena de três anos e seis meses de cadeia.

De 1993 a 2003 foi presidente da Liga das Mulheres do Congresso Nacional Africano. 

Ficou famosa pela frase: "Sem mim, o Mandela não tinha existido".