Nelson Mandela dedicou-se à defesa de múltiplas causas após deixar a Presidência da África do Sul, mas nenhuma o mobilizou tanto como a luta contra a SIDA, doença que tem devastado o país, incluindo um dos seus filhos.

Mandela pouco falou de sida quando foi chefe de Estado entre 1994 e 1999, enquanto a infeção progredia muito rapidamente. Uma postura que foi, sem dúvida, o seu principal erro enquanto Presidente, escreve a Agência France Presse.

Devia ter abordado mais frequentemente o assunto, à medida que a doença se espalhava terrivelmente na África Austral, segundo a agência francesa.

«Os africanos são muito conservadores em matéria de sexo. Não querem que falemos», declarou em tempos para explicar o seu silêncio inicial.

«Disse-lhes que somos atingidos por uma epidemia que varrerá a nossa Nação se não tomarmos precauções. Percebi que ofendi o meu público. Eles olharam-se com horror», acrescentou.

Foi na aposentação que Mandela começou, nomeadamente através da fundação com o seu nome, a denunciar as taxas recorde de VIH-sida no país, onde cerca de seis milhões de pessoas estão contaminadas, um sexto das infeções do mundo.

Em dezembro de 2000, afirmou que o VIH-sida era «pior do que uma guerra».

A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, numa comunicação televisiva.

Líder da luta contra o apartheid, Nelson Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.