Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que estiveram esta segunda-feira reunidos em Bruxelas, defenderam o reforço da colaboração entre os Estados europeus e os países do mundo muçulmano face à ameaça terrorista, disse Rui Machete no final do encontro.

O chefe da diplomacia portuguesa participou hoje no Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros, dominado pelo tema da luta antiterrorista, tendo dito no final da reunião que foi defendido o reforço das trocas de informações entre os serviços de inteligência dos países europeus e ocidentais, assim como de uma maior colaboração entre os países europeus e os Estados do mundo muçulmano.

«Chegou-se à conclusão de que seria muito importante que países muçulmanos, árabes, colaborassem com os países ocidentais, europeus, nas políticas de prevenção e nas políticas de repressão» do terrorismo, afirmou Rui Machete aos jornalistas.

Um estreitar de relações permitiria, na opinião dos responsáveis, ajudar a combater mais eficazmente organizações como o autoproclamado Estado Islâmico ou a Al-Qaeda, assim como associações terroristas originárias de países africanos, como o Boko Haram na Nigéria.

«Há a ideia de que serviços de informações devem intensificar a sua cooperação, quer entre países europeus, quer com países do Médio Oriente e do Mediterrânico», acrescentou.

Machete disse ainda que os chefes da diplomacia concordaram em divulgar publicamente a estratégia da UE contra o terrorismo, aprovada em dezembro, «visto que é importante que as populações saibam que essa estratégia existe».

Depois do encontro desta segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros admitem fazer uma reunião conjunta com os ministros da Administração Interna, afirmou ainda Rui Machete, encontro do qual poderão sair medidas mais específicas contra a ameaça terrorista.

A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, aconteceu poucos dias após uma operação policial de grande escala na Bélgica que terá prevenido atentados na capital do país.

O objetivo do encontro não era tomar decisões imediatas, mas uma primeira troca de opiniões, com vista à cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da UE que se realizará no próximo mês, e que será dedicada à luta contra o terrorismo, tal como decidido na sequência dos ataques em Paris.