Foram encontrados mais três diários com a rotina de Heinrich Himmler, que estiveram esquecidos durante mais de sete décadas no arquivo militar russo de Podolsk, a sul de Moscovo, por terem o selo "confidencial".

A rotina do chefe da SS, e braço-direito de Adolf Hitler, foi divulgada pelo jornal alemão Bild, que analisou os registos de 1938, 1943 e 1944, através dos quais ficamos a saber que o dia de Himmler começava sempre com uma massagem do seu médico, para aliviar as dores de estômago.

Diários de Himmler revelam contraste entre o pai de família e a crueldade

Tendo em conta os registos, o jornal alemão destaca ainda que Himmler, casado com Margaret, a quem chamava de "Mami", ligava quase todos os dias à família, que vivia no sul da Alemanha. A filha, Gudrun, era apelidada pelo oficial nazi como "Puppi", em português “Boneca".

Aparentemente, com a família pouco demonstrava a sua faceta de homem cruel. Himmler mantinha, também, regulares visitas à amante, a antiga secretária Hedwig Potthast, que nunca é referida pelo nome nos diários, segundo o jornal espanhol El Mundo

Os registos revelam também a influência do oficial dentro do regime nazi. Himmler assumiu a chefia das SS em 1929, mas rapidamente foi subindo na hierarquia. Mais tarde, ganhou a confiança de Adolf Hitler e foi nomeado por Hitler para desempenhar o cargo de Ministro do Interior, juntamente com a função de supervisionar os campos de concentração.

Himmler tinha a responsabilidade de assinar ordens de execução e enviava milhares de pessoas para os campos de concentração. Um dos registos dos diários termina com a decisão do oficial de mandar executar dez policias polacos por não terem agido quando a esquadra foi atacada.

As visitas aos campos de concentração eram referidas como “inspeções”. A 2 de fevereiro, por exemplo, Himmler assistiu à morte de 400 mulheres e raparigas numa câmara de gás.

No entanto, as "inspeções" seguidas de execuções não eram do agrado do oficial nazi, uma vez que os registos relatam que Himmler não gostava de ver sangue. Esteve prestes a desmaiar durante a execução de um grupo de judeus em Minsk, quando foi atingido no casaco pelo sangue de uma das vítimas.

Homem de família

Os diários agora conhecidos revelam mais uma vez que Himmler tratava a família de forma atenciosa, em contraste com a missão de genocídio que Hitler lhe confiou e que resultou no extermínio de milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial

Há dois anos foram descobertas cartas entre o oficial nazi e a mulher e a filha, fotografias e outros bens, em Israel. No entanto, em todos os relatos familiares, o tom de Himmler é paradoxal com a figura cruel que representava. 

“Para mim, o mais interessante é a combinação do pai dedicado com o assassino de sangue frio”, disse ao Times, Damian Imoehl, o jornalista que ajudou a encontrar os diários que o Bild está agora a publicar.

O jornalista refere ainda a surpresa com a forma como Himmler se preocupa com a filha, como cuida dos amigos, mas depois há o homem do "horror": que começa o dia com uma massagem, de seguida um telefonema à mulher durante o pequeno-almoço e, depois, decide mandar matar dez homens, antes de sair para visitar mais um campo de concentração.