A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, disse hoje, no Luxemburgo, que «a UE não tem mais desculpas» e os Estados-membros deve acordar «uma verdadeira política migratória» para evitar novas tragédias no Mediterrâneo.

Falando à chegada para uma reunião dos chefes de diplomacia da UE - que da parte da tarde será alargada aos ministros do Interior dos 28, Mogherini afirmou que após a tragédia que representou o naufrágio de uma embarcação no fim-de-semana, com pelo menos 700 imigrantes a bordo, que se soma a outras «nos últimos meses e nos últimos anos», não há mais desculpas para não agir de forma decisiva.
 
«Não temos mais desculpas. A UE não tem mais álibis, os Estados-membros não têm mais álibis», disse a Alta Representante, que instou a União a assumir a sua «responsabilidade».

De acordo com Mogherini, que presidirá à reunião de chefes de diplomacia, trata-se de «um dever moral», sendo a própria credibilidade da UE que está em jogo, pois o projeto europeu sempre se centrou «na proteção dos direitos humanos, da dignidade humana e na defesa da vida humana», pelo que a Europa deve ser «consistente» e não permitir que mais tragédias ocorram num mar que também é seu, referindo-se ao Mediterrâneo.

A vice-presidente da Comissão admitiu que «não há uma solução fácil, não há uma solução mágica», mas «há uma responsabilidade europeia» e instrumentos da política externa que podem e devem ser utilizados de imediato.

Todavia, assinalou, há responsabilidades que não estão nas mãos dos ministros dos Negócios Estrangeiros, razão pela qual o Conselho de hoje será alargado, da parte da tarde, a ministros do Interior, sendo que há outras responsabilidades que são ao nível de chefes de Estado e de Governo, motivo pelo qual o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, está em contactos com as capitais com vista a uma possível cimeira extraordinária.

Portugal está representado na reunião do Luxemburgo pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães.

Pelo menos 700 imigrantes estão desaparecidos no Mediterrâneo, depois de a traineira onde viajavam com destino a Itália ter naufragado a 60 milhas da costa da Líbia.