O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Paolo Gentiloni, afirmou esta segunda-feira que a tragédia migratória no Mediterrâneo é «uma emergência europeia», e não apenas de Itália, que exige «uma resposta europeia».

«O que acontece é uma emergência que diz respeito a todos, ao continente e à nossa forma de vida. É necessária uma ação da União Europeia (UE) face aos traficantes de seres humanos», disse Gentiloni à chegada ao Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros europeus no Luxemburgo.


O ministro frisou que Itália assume «dois terços da imigração irregular que chega à UE pelo Mediterrâneo» para defender: «Não pode ser algo que recaia unicamente sobre a Itália. Não se trata de ajudar a Itália, mas de ajudar a Europa».

Um naufrágio ocorrido no fim de semana no Canal da Sicília pode ter feito entre 700 e 900 mortos, segundo números avançados por alguns dos 28 sobreviventes resgatados pela guarda costeira italiana.

«Não é sustentável uma situação em que há uma emergência europeia à qual se responde unicamente com recursos e compromissos italianos», disse.

O ministro explicou que Roma espera da UE compromissos e o reforço das operações europeias de vigilância do Mediterrâneo, Frontex e Triton.

«O que está em jogo é a reputação da UE. A tragédia torna-o evidente. Faltam respostas e compromissos», afirmou, acrescentando que «com uma dotação económica suficiente podia patrulhar-se o mar de maneira eficiente e podia-se salvar e resgatar as pessoas».

As palavras do ministro italiano seguem as intervenções do primeiro-ministro, Matteo Renzi, que esta segunda-feira voltou a instar a UE a não deixar a Itália sozinha face ao problema da crise migratória.

Numa entrevista à rádio RTL, Renzi voltou a pedir uma cimeira europeia extraordinária sobre imigração: «Pedi à Europa que na quinta-feira, depois de todas as reuniões, se dedique um conselho europeu ao problema dos imigrantes».

O primeiro-ministro italiano declarou-se, por outro lado, contrário a «bloqueios navais» em águas internacionais, para identificar potenciais refugiados, o que, considerou, «seria fazer um favor aos traficantes».

Renzi admitiu no entanto avaliar a realização de «bloqueios» em águas líbias, sob supervisão e mandato das Nações Unidas e autorização da Líbia.