Uma autarquia italiana ficou sem mais de metade dos funcionários depois destes terem sido detidos pela polícia, esta terça-feira. Os colaboradores municipais são suspeitos de fraude laboral por ocultarem o absentismo uns dos outros.

Dos cerca de 60 funcionários da Câmara Municipal de Boscotrecase, uma localidade de Nápoles, 23 foram detidos pela polícia italiana. Os trabalhadores municipais tinham mais de um cartão de identificação de funcionário que utilizavam para assinalar a presença no local de trabalho de colegas faltosos.

Nas imagens, divulgadas pelas autoridades, surgem pessoas a passar dois e três cartões na máquina de registo de horas, sem se aperceberem da câmara oculta.

A imprensa italiana refere-se ao caso como “os espertinhos das caixas de cartão” porque um dos funcionários terá notado a presença da câmara e, depois de tentar remover o aparelho sem sucesso, o homem surge na imagem com uma caixa de cartão na cabeça, acreditando que assim estaria a esconder a sua identidade.

A prisão em massa dos funcionários públicos está a criar um problema de sustentabilidade à autarca local, que poderá mesmo ter de fechar temporariamente as portas. 

“Corremos o risco de fechar”, disse Pietro Carotenuto, citado pelo jornal La Repubblica.

Pietro Carotenuto foi eleito há um mês para liderar Boscotrecase, uma localidade com cerca de 11 mil habitantes e, que até este episódio, tinha pouco mais do que 60 funcionário municipais.

O governante acrescentou que está a tomar todas a providências para evitar o encerramento da Câmara, mas o processo não se adivinha fácil.

Entre os detidos estão chefes de gabinete, administrativos, membros da polícia municipal e pessoal dos gabinetes de ambiente e civil. A situação é agravada porque o corpo laboral do município está reduzido neste momento, por ser altura de férias.

Os 23 funcionários públicos detidos estão em prisão domiciliária. Destes, 13 têm de se apresentar periodicamente às autoridades e estão suspensos de exercer cargos públicos durante um ano e quatro meses. Quatro dos detidos só ficaram suspensos de funções por um período de seis meses.

O Ministério Público acusa os funcionários de fraude administrativa e de terem causado danos ao Estado com as falsificações de absentismo.