O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, assumiu, numa conferência de imprensa, esta quinta-feira, que os destroços encontrados quarta-feira na ilha da Reunião, são “muito provavelmente” de um Boeing 777, escreve a Reuters.

Acrescentou ainda que os destroços vão ser, agora, enviados para as autoridades francesas, em Toulouse, para estas confirmarem, ou não, se se trata do voo MH370, desaparecido a 8 de março de 2014.
 

“A localização é consistente com a análise de rumo [do aparelho] fornecida à equipa de investigadores malaios, que mostravam uma rota que ia do sul do Oceano Índico para África”, afirmou Najib Razak.


Uma equipa de investigadores franceses, da área da aviação, está também a caminho da Ilha da Reunião. Tal como investigadores da Malásia.

A Malásia também já fez saber que vai enviar meios para a Ilha da Reunião, para poder fazer buscas na zona, em terra e no mar, procurando mais destroços.

O Boeing 777 da Malaysia Airlines tinha partido de Kuala Lumpur e seguia para Pequim, quando desapareceu sem deixar rasto. Seguiam 239 pessoas a bordo.

Apesar de alguns “falsos alarmes” no passado, o primeiro-ministro malaio lembrou que nunca se desistiram das buscas e voltou a prometer: “não vamos desistir”.

Recorde-se que quarta-feira deu à costa na Ilha da Reunião a parte de uma asa de um avião e, já esta quinta-feira, foi também encontrada uma mala, junto no mesmo local.
 

Número de série 657 BB


Segundo o Journal de L’ile de la Réunion, um media local, a parte da asa descoberta tinha escrito um número de série: 657 BB. O jornal divulgou mesmo uma foto onde se pode ver o número referido.




Se compararmos esta informação com a presente no manual oficial da Boeing, relativo ao aparelho 777, comprova-se que há uma correspondência do número.





Esta informação, agora divulgada, vem reforçar a ideia de estarmos perante um Boeing 777. Algo já assumido pelas diferentes autoridades, envolvidas na investigação ao acidente do voo MH370. 

Considerando que o único Boeing 777 desaparecido no mundo é o do voo MH370, ao ser confirmado que esta peça é de um aparelho deste modelo, estaremos perante o avião da Malaysian Airlines.
 

Os crustáceos


Joseph Pouplin, um biólogo marinho da Academia Naval francesa, afirmou ao Journal de L’ile de la Réunion, que os crustáceos que surgem nas imagens presos ao bocado da asa podem estar presos há mais de sete meses.

A espécie também já foi identificada: são Lepas anatifera. Uma espécie de Cirrípede, pertencente à família Lepadidae, um tipo de crustáceos marinhos. Vivem em águas quentes e crescem 1 a 2 cm por ano. A sua existência pode ajudar a perceber, por exemplo, há quanto tempo o objeto está dentro de água.
 

As correntes no Oceano Índico


Já David Ferreira, um oceanógrafo, explicou ao jornal britânico Guardian que “é perfeitamente possível” os destroços viajarem tantos quilómetros, desde a área onde a busca está concentrada, até à zona costeira onde foram encontrados, na Ilha reunião. São cerca de três/quatro mil quilómetros em 16 meses.
 

De acordo com este especialista, o Oceano Índico tem duas correntes principais: “uma a sul, do local onde se suspeita ocorreu o acidente, que viaja de oeste para leste. E outra a norte, que viaja de leste para oeste”.


David Ferreira considera possível “que os destroços tenham, primeiro, subido e depois apanhados pela corrente do equador, em direção ao oeste”, concluiu.

Sozinha, esta peça, pouco pode ajudar na busca do aparelho, mas David Ferreira considera que pode ajudar a perceber melhor o local de impacto do aparelho no mar, voltando a restringir as zonas de busca.
 

"Não acredito que encontraram o avião”

 
A bordo do voo seguiam 153 passageiros chineses (239 ao todo), eram a maioria. Os familiares olham com desconfiança perante os novos factos e as suspeitas que existem.
 

“Pessoalmente não acredito. Não acredito que encontraram o avião”.


É assim que Cheng Liping, que perdeu o marido no voo MH370, reage em declarações ao jornal Guardian, à possibilidade de ter sido encontrado um destroço do Boeing 777 da Malaysia Airlines.

Jacquita Gonzales perdeu o marido, Patrick Gomes era membro da tripulação. Nos últimos meses viveu uma constante “montanha russa” de emoções. Em declarações à AFP, confessa “uma mistura de sentimentos”. Se por um lado, “pode encerrar” um capítulo, por outro prefere ter esperança “que eles ainda estão vivos algures”. Para ela, só vai terminar quando o avião for recuperado.