O analista e ex-conselheiro especial do secretário-geral da ONU Edward Luck acredita que "depois das duas primeiras votações, António Guterres emergiu como o candidato favorito a tornar-se o próximo secretário-geral" da organização.

"A maioria dos observadores atribui isto ao forte desempenho que [Guterres] demonstrou em encontros com os países membros e nos fóruns públicos. Os membros do conselho também parecem apreciar o seu desempenho enquanto Alto Comissariado para os Refugiados", disse o ex-conselheiro de Ban Ki-Moon em entrevista à Lusa.

O professor de relações internacionais da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, adiantou que, "no entanto, o processo ainda está no início e é imprevisível."

"Há outros candidatos fortes e alguns delegados ainda prefeririam uma mulher ou [candidato] da Europa de Leste", disse.

Nas primeiras duas votações informais, que ocorreram a 21 de julho e 5 de agosto em Nova Iorque, o ex-primeiro-ministro português António Guterres foi o candidato mais apoiado.

Durante a votação, cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança indica se "encoraja", "desencoraja" ou se "não tem opinião" sobre os candidatos.

Na primeira votação, Guterres recebeu 12 votos de encorajamento e nenhum de desencorajamento. Na segunda, teve 11 votos "encoraja", dois votos "não tem opinião" e dois "desencoraja".

O especialista da ONU acredita que "as reformas deste ano para tornar o processo de nomeação mais transparente favoreceram Guterres porque ele tem conhecimento [dos dossiers] e é bem articulado."

"Mas o processo de decisão dentro do Conselho de Segurança permanece opaco", acrescenta.

Na primeira votação, o ex-primeiro-ministro português foi seguido pelo ex-presidente da Eslovénia, Danilo Turk, que desceu para o quarto lugar na segunda votação. Vuk Jeremic, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, alcançou o segundo lugar na segunda votação com oito votos favoráveis e quatro "desencoraja".

Uma vez que o novo secretário-geral precisa da aprovação de todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França e China), o facto mais relevante na segunda votação foi a multiplicação de votos desfavoráveis.

"Ninguém consegue prever o resultado, com qualquer grau de certeza. A política é quem terá a palavra final", conclui Luck.

Os membros do Conselho Segurança da ONU vão fazer a 29 de agosto uma terceira votação informal sobre os 11 candidatos, cinco dos quais mulheres, que disputam o cargo de secretário-geral.

Até ao momento, a ex-ministra croata Vesna Pusic foi a única que desistiu da corrida.

O Conselho de Segurança continuará a realizar votações informais sobre os candidatos até que um surja como consensual, devendo depois o conselho recomendar um nome para aprovação pela Assembleia-Geral da ONU, que reúne representantes de 193 países.

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o outono.