A imprensa búlgara dá conta que a chanceler Angela Merkel tratou de procurar apoios para Kristalina Georgieva durante a recente cimeira do G20, ocorrida na China. Com esse "empurrão" da Alemanha, que nem sequer integra os 15 membros do Conselho de Segurança, a atual vice-presidente da Comissão Europeia poderá assim entrar na corrida ao cargo de secretário-geral da ONU nos próximos dias.

A hipótese foi já criticada por uma porta-voz do Ministério dos Negócios estrangeiros russo, segundo a qual, o presidente russo, Vladimir Putin, comunicara a Angela Merkel que "a nomeação de um candidato para o cargo de secretário-geral da ONU é um decisão soberana de um pais e qualquer tentativa de influenciar essa decisão direta ou indiretamente é inaceitável".

A Bulgária já nomeou uma candidata para o cargo, Irina Bokova, directora-geral da UNESCO, que tem sido a mulher mais bem posicionada nas primeiras quatro votações informais no Conselho de Segurança da ONU e que tem o apoio do Kremlin.

Até agora, o ex-primeiro ministro português António Guterres foi o candidato mais "encorajado" nas primeiras quatro votações informais para o cargo, que aconteceram em 21 de julho, 5 de agosto, 29 de agosto e 9 de setembro.

Regras maleáveis

Na escolha de um nome para secretário-geral da ONU, o Conselho de Segurança tem a primeira e praticamente decisiva palavra, indicando quem deve ocupar o lugar, para ser depois chancelado pelos países na Assembleia Geral da organização.

Embora nada impeça um país de nomear dois candidatos, trata-se de algo que nunca aconteceu.

Por outro lado, nada impede um candidato de ser proposto por um país que não seja o seu, embora isso também nunca tenha acontecido.

No caso, a imprensa búlgara avança que o nome de Georgieva poderia ser proposto pela Hungria, Croácia e Letónia, com o apoio da Alemanha.

O chefe de gabinete do presidente da Comissão Europeia, Martin Selmayr, partilhou no Twitter uma notícia que dava conta da nomeação de Georgieva e escreveu que "seria uma grande perda" para a União Europeia, mas que a Búlgara "seria uma forte secretária-geral da ONU, faria muitos europeus orgulhosos" e seria um "sinal forte" para a igualdade de género.

Próximas votações

A ONU já realizou apresentações, entrevistas e debates com todos os iniciais 12 candidatos ao cargo, o que permitiu um nível de envolvimento público sem precedentes.

Embora permitida pelos estatutos da organização, que permanecem inalterados, uma nomeação tão tardia seria um retrocesso nesta tentativa de tornar o processo mais transparente.

Duas novas votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de setembro, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o outono.