O exército do Sudão Sul terá violado e queimado vivas várias raparigas e mulheres, segundo um relatório das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira.
 
Os crimes cometidos contra as mulheres atingiram uma “nova onda de brutalidade e intensidade” nos últimos dias, segundo a missão da ONU (UNMISS) no Sudão do Sul, havendo relatos ainda de violações em grupo, violações de mulheres à frente dos filhos e de tortura, de acordo com 115 vítimas e testemunhas das atrocidades que ocorreram em Unity, no norte do estado africano, que tem sido palco dos mais violentos confrontos em 18 meses de guerra civil.
 
“Algumas das denúncias mais perturbadoras compiladas pela missão das Nações Unidas assentam no rapto e abuso sexual de mulheres e raparigas, algumas das quais foram queimadas vivas nas suas casas” pelo Exército Popular da Libertação do Sudão e milícias aliadas, consta no relatório. 
 
Os investigadores da ONU identificaram pelo menos nove incidentes separados em que “as mulheres e crianças foram queimadas nas suas cabanas depois de terem sido violadas em grupo”, além de inúmeros outros casos de violência sexual em que as mulheres foram violadas na presença dos filhos" e outras foram “apenas mortas a tiro” depois de violadas.
 
No relatório, uma testemunha diz ter visto “forças governamentais a violar em grupo uma mulher que estava a amamentar, depois de atirarem o bebé para o lado”, enquanto outra contou que uma mulher foi obrigada a "apertar nas mãos carvão em brasa" para confessar onde estavam escondidos os rebeldes ou o gado.
 
Além destas atrocidades, o exército é igualmente suspeito de recrutar crianças-soldado.
 
A missão das Nações Unidas, que diz ter confirmado os testemunhos junto de diferentes fontes, entregou já o relatório ao Governo do Sudão do Sul, que ainda não fez quaisquer comentários, apesar de no passado ter negado as acusações de abusos dos direitos humanos.
 
As Nações Unidas dizem também ter tentado em vão visitar os locais onde terão ocorrido as atrocidades mas que o acesso é-lhes sempre negado. A chefe da missão UNMISS, Ellen Margrethe, quer “acesso ilimitado” para investigar os alegados crimes.