A Amnistia Internacional alerta que, em três semanas, o êxodo da minoria 'rohingya' de Myanmar superou o total de refugiados que chegaram à Europa em 2016, revelando o “falhanço total” dos líderes mundiais na crise migratória.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, no início da semana em que decorre a 72.ª assembleia-geral das Nações Unidas, a Amnistia Internacional (AI) relata que quase 379 mil pessoas, a grande maioria da etnia 'rohingya', fugiram para o Bangladesh desde 25 de agosto, quando eclodiu uma nova vaga de violência no estado de Rakhine, até 12 de setembro.

Um número que supera os 362 mil refugiados que chegaram por mar à Europa, no ano passado, segundo a organização de defesa dos direitos humanos.

Também a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu o “acesso urgente” e “sem entraves”, ao estado de Rakhine, de entidades que prestam ajuda humanitária para auxiliar a população.

O pedido, realizado em comunicado, tem lugar durante as operações militares iniciadas no passado dia 25 de agosto em Rakhine, quando teve início uma nova vaga de violência no estado de Rakhine.

Por sua vez, a organização Human Rigths Watch defendeu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas devia impor sanções e um embargo de armas ao exército de Myanmar para acabar com a “limpeza étnica” contra os muçulmanos rohingya.

Em comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos pediu aos líderes mundiais que considerem a crise em Myanmar “uma prioridade” e condenem “as contínuas atrocidades e a obstrução à ajuda humanitária àqueles que desesperadamente precisam dela”.

O Conselho de Segurança devia urgentemente impor a proibição de viajar e o congelamento de bens aos responsáveis pelos graves abusos e um embargo de armas generalizado a Myanmar, incluindo a proibição da cooperação militar e das operações financeiras com as empresas detidas por militares”, referiu a HRW.

 

Protestos no Bangladesh

Pelo menos 10.000 islamitas manifestam-se na capital do Bangladesh junto à embaixada de Myanmar em protesto pela violência contra a minoria muçulmana rohingya, noticiou a France-Presse.

Os manifestantes, que vestiam túnicas brancas e entoavam cânticos como “Deus é grande”, juntaram-se perto da grande mesquita de Dacca e o objetivo é chegarem à embaixada de Myanmar.

O número de polícias nas ruas foi reforçado por receio de confrontos. O grupo islamita Hefazat-e-Islami, que convocou o protesto, disse que o objetivo é cercar a representação diplomática com manifestantes.