A maioria dos quase 600 mil refugiados rohingya, cerca de 58%, que sobrevivem em condições precárias no Bangladesh são crianças que sofrem de desnutrição e estão expostas a doenças infeciosas e a perigos à integridade física e moral.

Quem o diz é a Unicef, cujo relatório “Banidos e Desesperados: crianças rohingya refugiadas perante um futuro perigoso” foi apresentado esta sexta-feira em Genebra. 

É o inferno na terra, é assim que o descreveria”, afirmou em conferência de imprensa Simon Ingram, autor do relatório.

Após duas semanas em Cox's Bazar, localidade bengali onde se reuniram quase 600 mil refugiados desta minoria muçulmana, que se juntam a outros 200 mil rohingyas que tinham fugido anteriormente, Ingram descreveu uma situação “desesperada, de miséria e sofrimento indescritível”.

Segundo o relatório, todas as semanas cerca de 12.000 crianças fogem da violência e da fome em Myanmar. 

"Isto não vai acabar a curto prazo. É absolutamente necessário que as fronteiras permaneçam abertas, que se dê proteção a estas crianças e que todas as que nasçam no Bangladesh possam ser registadas", sublinhou Ingram

O povo rohingya é uma minoria étnica muçulmana e hindu que é considerada pela ONU um dos povos mais perseguidos do mundo. A maior comunidade do mundo está na antiga Birmânia, país predominantemente budista, no estado de Rakhine. 

Desde o final de agosto que o exército de Myanmar lançou uma ofensiva contra esta comunidade, depois de alguns rebeldes rohingya, do chamado Exército Arakan de Salvação Rohingya, terem atacado alguns postos policiais. A operação depressa gerou críticas da comunidade internacional e foi considerada uma "limpeza étnica".

Na terça-feira a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que entre 10.000 a 15.000 refugiados rohingya chegaram nos últimos dias ao Bangladesh, elevando para 582.000 os que fugiram desde agosto.