O parlamento da Birmânia está a estudar uma emenda à sua Constituição que impeça alguém casado com um estrangeiro, ou com filhos de outra nacionalidade de se tornar presidente.

A proposta está a ser vista como uma tentativa de impedir a líder opositora e prémio Nobel, Aung San Suu Kyi, de chegar à presidência, uma vez que é viúva de um cidadão britânico.

O anúncio foi feito no final de um encontro político «inédito» entre o presidente do país, Thein Sein, com altos comandos militares e adversários como Aung San Suu Kyi, o primeiro de uma série de encontros que vai discutir a emenda.

«Concordámos em debater uma emenda à Constituição no parlamento, como prevê a legislação. (…) A reunião de hoje é a primeira etapa. Apesar de modesta, o impacto será grande» disse o porta-voz da presidência Ye Htut, segundo o «G1».

A Birmânia saiu de um regime de ditadura militar, e as primeiras eleições serão realizadas daqui a um ano, na última semana de outubro ou primeira de novembro de 2015.

A Liga Nacional para a Democracia (LND), de Suu Kyi, que passou anos em prisão domiciliária durante a ditadura, é favorita para vencer o sufrágio, daí a polémica em torno da alteração à constituição.

Barack Obama, apela a eleições «inclusivas e credíveis»

O presidente norte-americano, Barack Obama, já apelou à realização de eleições «inclusivas e credíveis» no próximo ano na Birmânia.

Obama fez o apelo a Thein Sein durante conversações sobre a visita do Presidente norte-americano ao país no próximo mês, informou na quinta-feira a Casa Branca.

«O Presidente acolheu com agrado o compromisso de Thein Sein e do seu Governo com o processo de paz e disse que todos os esforços devem ser feitos para implementar um cessar-fogo nacional a curto prazo», indicou o comunicado.