A Mutilação Genital Feminina (MGF) foi criminalizada na Nigéria, mas 20 milhões de mulheres e raparigas continuam a ser submetidas à prática, de acordo com um relatório global publicado esta semana pela ONG "28 Too Many". 

Muitas meninas são submetidas  ao corte de parte ou todos os órgãos genitais externos antes do seu primeiro aniversário, e 82% são submetidas ao processo antes mesmo dos cinco anos de idade.

Ao todo, mais de 200 milhões de mulheres já foram submetidas à MGF, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que denuncia que a prática tem a intenção de ferir os órgãos genitais femininos sem qualquer propósito médico.

Apesar de ter sido considerada ilegal há cerca de um ano naquele país, a Mutilação Genital Feminina, os dados recolhidos não dão conta de grande alteração no número de mulheres e crianças afetadas pela prática.

A MGF é a prática ritualística da remoção de parte ou todos os órgãos sexuais externos femininos, geralmente, com a intenção de impedir que as mulheres possam vir a sentir prazer sexual. Esta remoção é feita, normalmente, com uma lâmina, sem anestesia e colocando em risco a vida daquelas que são submetidas a esta prática.

"Uma barbaridade"

Os autores do relatório defendem que a maioria dos nigerianos não pretendem continuar com esta prática que consideram uma barbaridade que pode causar infertilidade, mortalidade materna, infeção e a perda do prazer sexual.

Atualmente, já existe um grande número de jovens que têm acesso as informações acerca desta prática, através do telemóvel. Por sua vez, há um grande aumento do uso das redes sociais que oferecem nova oportunidades e mais informações acerca do risco da MGF”, conclui o estudo.

A criminalização da mutilação genital foi uma das últimas medidas de Gododluck Jonathan, ex-presidente da Nigéria.

Ninguém, isoladamente, pode acabar com a MGF e a MGF não é um problema que venha só, como outros tipos de violência. As mulheres que sofrem esta prática têm de lidar com ela, diariamente”, disse ao The Guardian, Jaha Dukureh, uma das mulheres mais influentes na luta contra a MGF, na República da Gâmbia, e sobrevivente desta prática.

Alguns países já têm vindo a banir a Mutilação Genital Feminina, criminalizando-a, mas a prática continua a ser efetuada contra as leis, seguindo uma tradição antiga.