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Governo alemão cooperou com terroristas palestinianos

Documentos secretos revelados pela «Der Spiegel» mostram que, após o atentado de Munique, em 1972, a estratégia foi mais amigável do que se pensava

Por: Redacção / CP    |   2012-08-29 17:54

O governo alemão aproximou-se secretamente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) após o atentado dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, no qual morreram 11 israelitas e um polícia alemão.

Documentos secretos revelados agora pela revista «Der Spiegel» mostram que os alemães mantiveram contactos com os organizadores do massacre durante muitos anos, com o objetivo de evitar mais ataques no seu território. A investigação está a provocar muita polémica em Israel, que nunca compreendeu por que razão os tribunais alemães não julgaram os envolvidos no atentado.

Poucos meses após o ataque realizado pelo Setembro Negro, grupo terrorista ligado à OLP, o Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão da altura, Walter Scheel, reuniou-se com Abu Youssef, um dos fundadores da organização palestiniana, no Cairo. Já em 1973, foi a vez de Walter Nowak, então embaixador alemão no Líbano, ter conversações com o terrorista. Uma semana depois deste encontro, Abu Youssef foi morto em Beirute, numa operação das forças especiais israelitas, onde também morreram Kamal Nasser e Kamal Adwan, altos funcionários da OLP. Nos documentos, percebe-se que o embaixador não ficou nada contente. Walter Nowak descreveu mesmo os três envolvidos no massacre de 1972 como dos mais «racionais e responsáveis» membros da OLP.

O embaixador no Líbano era a peça-chave da comunicação diplomática secreta entre alemães e palestinianos para criar «uma nova base de confiança» entre ambos, enquanto publicamente os governantes lamentavam os mortos de Munique.

Em outubro de 1972, quando a OPL sequestrou um avião da Lufthansa e exigiu a libertação dos três terroristas que sobreviveram, o governo alemão cedeu imediatamente e deixou-os ir para a Líbia. O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da altura, Paul Frank, escreveu ao embaixador na Líbia que, para a Alemanha, «o capítulo de Munique estava fechado». Os alemães nunca pediram a extradição dos três terroristas. «Devemos estar agradecidos por tudo isto ter acalmado», lê-se numa nota de Paul Frank para o chanceler Willy Brandt.

Após este susto, o secretário de Estado aconselhou Willy Brandt a «clarificar a relação com os palestinianos», para que não fosse entendido como pró-Israel. A «Der Spiegel» interpreta que, para além do receio de novos ataques, o governo alemão temia que os países árabes reduzissem a exportação de petróleo para a Alemanha.

O então líder da OLP, Yasser Arafat, acedeu ao pedido dos alemães e exluiu a Alemanha Ocidental dos seus alvos. Em troca, conseguiu colocar Abdallah Frangi, outro dos alegados envolvidos no ataque de Munique, num gabinete de informação da Palestina em Bona, intensificando a influência palestiniana sobre os líderes alemães. Foi Abdallah Frangi que assegurou que não iria haver ataques durante o Mundial de 1974, realizado na Alemanha Ocidental.

Já em 1977, cinco anos após Munique, a polícia francesa deteve o coordenador do ataque, Abu Daoud. O ministério da Justiça alemão decidiu apoiar o pedido de extradição feito por Israel. O objetivo era «evitar emitir o seu próprio pedido de extradição e ter Abu Daoud extraditado para a Alemanha». As notas trocadas entre o chanceler de então, Helmut Schmidt, e o novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Hans-Dietrich Genscher, mostram que os alemães esperavam um governo palestiniano formado a partir da OLP, pelo que não queriam acusações de terrorismo na altura. Os franceses acabaram por deixar Abu Daoud ir para a Argélia.

O rasto dos contactos continua até 1980, quando o terrorista Amin al-Hindi, também envolvido no atentado de Munique, se reuniu em Beirute com enviados da polícia alemã, após a detenção de 11 palestinianos na Alemanha, e ameaçou: «Ou continuamos a trabalhar juntos em segredo, ou não continuamos».

Os envolvidos no massacre de 1972 estão quase todos mortos. Nenhum foi julgado.

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EM BAIXO: Israelitas mortos no massacre de Munique em 1972
Israelitas mortos no massacre de Munique em 1972

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