Um homem muçulmano foi espancado até à morte por um grupo de pessoas, no oeste da Índia, por ser suspeito de contrabando de vacas, animal sagrado para os hindus, informou hoje a polícia.

A sucessão de casos como este já levou o Supremo Tribunal indiano a pedir às autoridades medidas imediatas para o fim deste tipo de violência em todo o país.

Uma multidão intercetou dois homens a pé, que traziam duas vacas, por volta da meia-noite, numa área florestal no distrito de Alwar, no Estado de Rajastão, e começaram a espancá-los com paus, disse o agente da polícia Mohan Singh, acrescentando que os homens levavam os animais para sua aldeia, no Estado vizinho de Haryana.

Um dos homens conseguiu escapar, enquanto o outro foi levado para o hospital, onde os médicos o declararam morto à chegada.

Singh disse que a polícia recebeu uma dica sobre o ataque e imediatamente chegou à área.

"No entanto, os atacantes fugiram quando nos viram, deixando para trás o homem ferido e as duas vacas", disse, salientando que a polícia não pode certificar a alegação de que os homens estariam a contrabandear os animais.

As vacas são consideradas sagradas na Índia, de maioria hindu, e abater vacas ou comer carne é ilegal ou restrito em grande parte do país.

O país tem assistido a uma série de ataques contra grupos minoritários desde que o nacionalista hindu Bharatiya Janata venceu as eleições nacionais, em 2014.

A maioria dos ataques dos grupos hindus apelidados de "vigilantes das vacas" têm como alvo os muçulmanos, que representam quatro por cento dos 1,3 bilhões de habitantes da Índia. Os hindus compõem cerca de 80% da população.

No ano passado, num caso semelhante no mesmo distrito, um homem muçulmano foi morto e outros 14 foram espancados brutalmente depois de serem sido acusados de levar vacas para o abate.

Os homens tinham comprado os animais numa feira de gado e levavam-nos para casa, no estado de Haryana.

No mês passado, dois muçulmanos foram linchados no Estado de Jharkhand, no leste, acusados de roubo de gado.

Esses ataques causaram pelo menos 20 mortos por grupos de vigilantes de vacas, na sua maioria ligados ao partido do primeiro-ministro Narendra Modi.

O Supremo Tribunal da Índia pediu na terça-feira que o Governo federal considere promulgar uma lei contra os linchamentos a violência popular alimentada por rumores de que as vítimas pertencem a membros de gangues sequestradoras ou são comedores de carne.

O Supremo Tribunal disse que "atos horrendos” de linchamento não podem tornar-se numa nova norma e sugeriu uma série de medidas aos governos central e estadual para conter esta violência.