O presidente deposto do Egito Hosni Mubarak foi condenado a prisão perpétua pela morte de 850 manifestantes nos protestos que o derrubaram no ano passado, anunciou, neste sábado, o juiz do tribunal que está a julgá-lo desde agosto.

O mesmo tribunal deixou cair a acusação sobre os dois filhos do antigo ditador, Alaa e Gamal Mubarak, que eram acusados de corrupção.

Mubarak, primeiro líder árabe a ser julgado pelo seu próprio povo no país, vai recorrer. Segundo o seu advogado, «a decisão está cheia de falhas legais de todos os ângulos», disse Yasser Bahr, citado pela AFP. «Vamos ganhar. Um milhão por cento de probabilidades», perspetivou, ainda.

No exterior do tribunal, centenas de opositores do ex-presidente do Egipto enfrentaram a polícia com pedradas.

Segundo noticia a agência EFE, os confrontos começaram após a leitura da sentença, quando os manifestantes anti-Mubarak tentaram impedir a passagem de um veículo policial.

Agentes antimotim chegaram de seguida para acalmar os confrontos e cortaram uma estrada próxima.

No regresso à prisão de Tora, Hosni Mubarak sofreu uma crise cardíaca, adiantaram fontes médicas à televisão estatal.

O presidente deposto foi autorizado a dar entrada no setor medicalizado daquele estabelecimento.

Fontes da segurança egípcia disseram, entretanto, que Mubarak resistiu a sair do helicóptero que o transportou do tribunal para a prisão.

[artigo original 10h15]