Mais de 20 militantes da UNITA ficaram feridos, três dos quais em estado grave, num ataque ocorrido no interior do país, perpetrado por supostos apoiantes do MPLA, no poder em Angola, denunciou o maior partido da oposição.

De acordo com a denúncia feita hoje pelo secretariado executivo do comité permanente da comissão política da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o caso aconteceu na segunda-feira, em Luremo, na província da Lunda Norte, à passagem de uma caravana do partido que desenvolvia uma "missão política" naquela comuna.

Não foi possível obter uma reação a estas acusações da parte do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder no país desde 1975.

«Da ação dos marginais organizados resultaram 21 feridos, três dos quais em estado grave, e a destruição de uma viatura por fogo posto, além de outros danos materiais. Além destes danos, os militantes da UNITA na comuna de Luremo estão a ser perseguidos, encontrando-se em parte incerta, depois de suas casas terem sido deitadas abaixo por militantes do partido no poder», acusa o secretariado executivo do comité permanente.

O Comando Geral da Polícia Nacional fez entretanto saber que os confrontos tiveram lugar na via pública, no troço rodoviário do município do Cuango, entre as vilas de Luremo e Cafunfo, na sequência da alegada oposição de populares à realização da atividade político-partidária da UNITA.

Já o partido, na mesma informação, manifesta «estranheza» por estes «atos de intolerância política» terem acontecido «depois de bem informadas as autoridades administrativas e policiais» sobre o programa de trabalho do partido naquela zona.

«A direção da UNITA considera estar perante uma violação flagrante dos direitos civis e políticos dos cidadãos plasmados na Constituição da República de Angola e na lei dos partidos políticos», acrescenta o secretariado executivo do comité permanente.

Face a este cenário, o partido do «galo negro» afirma que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos (também presidente do MPLA) «tem sido constantemente desautorizado pelos militantes do seu próprio partido», que «insistem e persistem na execução destas ações por todo o país».

A UNITA recorda que o chefe de Estado, na sua mensagem de ano novo, invocou a necessidade de dar «passos firmes para neutralizar as causas da intolerância política», com «os diferendos e contradições» a serem «resolvidos com base no diálogo e no respeito pela lei».

Exige por isso que José Eduardo dos Santos «faça cumprir a sua afirmação»: «De contrário, a direção da UNITA tirará as suas conclusões».