Mark Duggan, de 29 anos, pai de seis filhos, residente em Tottenham, norte de Londres, no Reino Unido, foi morto em Agosto de 2011, numa alegada troca de tiros com as autoridades. A polícia justificou que

este tinha disparado contra eles. Sabe-se agora que estava «desarmado». Na altura, gerou-se uma onda de indignação e registaram-se violentos motins na capital britânica. Foi aberta uma comissão de inquérito para averiguar o incidente e, esta terça-feira, foi conhecida a conclusão da investigação.

Segundo avança o jornal britânico «The Telegraph», as autoridades admitem que Mark Duggan estava «desarmado», mas consideram que a sua morte ocorreu «dentro da lei» e, por isso, foi «justificada».

A decisão fez exaltar os ânimos dos amigos e familiares de Mark Duggan presentes na leitura da conclusão. «Assassinos», gritaram em direção à polícia, que acusam de uso de força excessiva. Os seguranças foram obrigados a intervir quando, levados pela emoção, os amigos começaram a bater nas portas e virar a mobília que encontraram no caminho.

A autoridades estão preocupadas com a tensão crescente na zona de Tottenham, escreve o «The Telegraph». Carole Duggan, tia de Mark, afirmou aos jornalistas que «o país sabe que ele foi executado. Nós vamos lutar até não podermos mais. Por ele e pelos seus filhos».

Quando o comissário da policia metropolitana, Mark Rowley tentou ler um comunicado, no final, da leitura, já no exterior do tribunal onde decorreu a audiência, gritos de «sem justiça não há paz», impediram-no de prosseguir. Palavras que fazem adivinhar dias pesados.

Nos motins do Verão de 2011 morreram cinco pessoas e os prejuízos, resultantes da violência, chegaram aos duzentos milhões de libras (mais de 240 milhões de euros). Na altura, as manifestações e os distúrbios espalharam-se por vários bairros de Londres como, por exemplo, Birmingham, Bristol e Manchester.

O júri da comissão de inquérito, composto por sete homens e três mulheres, acredita que Duggan, atingido mortalmente, quando se dirigia de táxi para a casa, tinha uma arma na sua posse. Mas, a dado momento, ter-se-à desfeito dela, após ser confrontado pelas autoridades. Na altura que foi atingido mortalmente, não tinha nenhuma arma em sua posse.