A polícia britânica admite que venha a acontecer nova vaga de violência urbana como a do Verão passado. E teme que, perante os recentes cortes orçamentais, tenha ainda menor capacidade de resposta aos motins que deixaram algumas das principais cidades britânicas a ferro e fogo durante vários dias.
Os dados são do estudo «Reading the riots», uma parceria da London School of Economics e do jornal «Guardian» que numa primeira fase falou com jovens que participaram nos motins e agora analisou o que se passou do ponto de vista das autoridades. Foram ouvidos 130 agentes da polícia de todas as patentes, muitos dos quais citam o agravamento das condições sociais e económicas como causa potencial para um regresso «provável» da violência.
«Acho que se tivermos tempos económicos difíceis, tempo quente e algum evento que o faça desencadear... a minha resposta é: sim, podem. Porque acho que nada mudou de agosto até agora, e a única coisa diferente é que as pessoas pensaram: os motins são divertidos», afirmou um superintendente da polícia de Manchester, em resposta à pergunta «Os motins vão voltar a acontecer?» O mesmo responsável lembra que só em Manchester foram presas 300 pessoas, mas diz que «muita gente da periferia provavelmente escapou-se».
O estudo, nota o «Guardian», surge numa altura em que há cortes orçamentais que têm motivado um braço de ferro entre as forças policiais e a secretária de Estado do Interior, Theresa May. Paul McKeever, presidente da associação profissional da polícia britânica, fala em cortes de 20 por cento e menos 5000 agentes nas forças policiais só no ano passado.
Em Agosto há Jogos Olímpicos em Londres, a maior operação policial de sempre no Reino Unido, e haverá um poderoso esquema de segurança montado na capital.
Quanto à muito contestada forma como as autoridades britânicas lidaram com os motins de Agosto passado, os polícias ouvidos no estudo admitem que houve problemas na articulação entre a polícia metropolitana e outras forças: só foi ativado um sistema de alarme nacional ao fim de três dias. E também que a polícia não estava preparada para lidar com as redes sociais, nomeadamente as mensagens encriptadas via Blackberry que os protagonistas dos motins usavam para se organizar. Continuam ainda a defender que a estratégia adotada, de proteção da vida e uso do mínimo de força possível, foi adequada.
Os responsáveis da polícia metropolitana garantem de resto que se prepararam melhor desde os motins: treinaram mais 1750 agentes de ordem pública, implantaram um «plano de mobilização» para gerir as forças no terreno e procuraram atualizar-se em termos técnicos para monitorizar as redes sociais.