A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, e mulher do chefe de Estado, Daniel Ortega, acusou a oposição nicaraguense de ser responsável pela morte de 197 pessoas, na sequência de uma “campanha terrorista” contra o governo do país.

Pelo menos 197 vidas foram destruídas pelo terrorismo golpista e por criminosos (…) que vão pagar por estes crimes”, ameaçou a governante, num discurso emitido pela televisão estatal na terça-feira.

Murillo reagia ao relatório da polícia nicaraguense, divulgado horas antes, segundo o qual "197 pessoas morreram entre 19 de abril e 25 de julho vítimas do terrorismo golpista", incluindo 22 polícias.

De acordo com várias organizações não-governamentais (ONG), cerca de 400 pessoas morreram na sequência da repressão de manifestações e protestos pelas forças de segurança nicaraguenses e paramilitares.

As últimas declarações de Murillo mostram, uma vez mais, "a política de negação e minimização da barbárie do Governo, que sabe que é responsável", reiterou a presidente da ONG Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH), Vilma Núñez.

O país da América Central é palco, desde 18 de abril passado, de manifestações e confrontos violentos que, de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, já causaram cerca de 400 mortos e mais de dois mil feridos.

Os manifestantes acusam Ortega e Murillo de abuso de poder e de corrupção.

Daniel Ortega, de 72 anos, está no poder desde 2007, após um primeiro mandato de 1979 a 1990.